10 de janeiro de 2013

Resenha: Detective Conan






Estreia hoje no Anime Cote uma nova redatora, a Escritora Otaku. Que nem eu e o Bebop, ela também é colaboradora no site de resenhas Anime Haus, onde podem ser vistos outros textos de sua autoria. A equipe do Anime Cote lhe dá as boas vindas, e agora segue abaixo sua primeira resenha no blog.



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Nomes alternativos: Metantei Conan (em japonês); Clase Closed (em inglês)
Ano: 1996
Diretor: Koujin Ochi é atualmente o quarto nome no cargo de direção, onde se encontra desde o episódio 505
Estúdio: TMS Entertaimment
Episódios: Mais de 670, em exibição.
Gênero: Comédia / Drama / Policial / Suspense
De onde saiu: Mangá, 77 volumes, em andamento.



O que serve para se criar uma série policial? Existem fatores que caracterizem este estilo de série, sendo que as mais comuns são trazer personagens que bancam detetives ou policiais – na maioria das vezes - resolvendo casos dos mais variados: gênero que tem sido elaborado desde a década de 70 e que apesar de não ser tão comum quanto os “shounen battles” ou típicos romances, tem seus representantes e dos mais variados tipos. Quem quiser conhecer melhor sobre este estilo de anime, vá ao Anime Portfolio, que fez um post referente a animes policiais, que pode ser visto clicando aqui.

A série que será apresentada é deste estilo e sem dúvidas, a que mais aproveita estas características e que não demonstra sinais de cansaço: sejam bem-vindos ao universo de “Detective Conan” e por que ainda está em publicação e exibição. Como parte das séries que costumamos acompanhar, a história se origina de um mangá do mesmo nome, que vem sido publicado na Shounen Sunday – editora que publica “Silver Spoon”; “Magi”, “Kekkaishi” e outras obras conhecidas ou não – que abriu as portas para que a série demonstrasse seu potencial e está até hoje, sendo um dos mangás mais longos da editora em publicação. Talvez, outras séries tão longas quanto “Detective Conan” sejam “Hajime no Ippo” e “Jojo’s Bizarre Adventure”, que têm anos e anos e possuem seu público cativo.

Peraí? Quantos anos tem o mangá, especificamente? A publicação vem desde 1994, ou seja, a série tem exatos 18 anos ininterruptos e o anime não foge à regra: desde 1996, sendo 16 anos exibido na Nippon TV e sendo um dos animes de maior audiência do Japão. Fora que tem 16 filmes, vários OVAs – especiais de vídeo – três live-actions e dois especiais com outra série clássica no Japão, “Lupin III”. Podem acreditar: se estes números são tão impactantes, é porque é bom, não importando o que tem pra ter tanto tempo na estrada.

O anime foi lançado dois anos depois de ter seu mangá lançado, o que significa apenas um detalhe importante: na época, pra um mangá virar anime era preciso ter conquistado o público e apresentar uma história convincente, fator que é quase nulo atualmente. Então, não venham reclamar que séries antigas não tem charme, porque elas têm: basta somente conferir e ver o que podem oferecer ao espectador, claro que não são todas, só pra constar.

E agora? Dá pra contar o enredo e saber o que “Detective Conan” pode transmitir ao público ou porque está mantido em publicação e em exibição até hoje?

 
O enredo do anime começa com um caso de assassinato numa mansão, onde está tendo uma festa: um homem é morto num dos aposentos da residência e quando é encontrado, a polícia é chamada. Mas também tem mais alguém, que não é da polícia, só que é importante para o caso ser resolvido e é o protagonista da série: o jovem detetive colegial Kudo Shinichi, que usa sua inteligência e habilidades dedutivas pra resolver os casos que parecem ser sem solução.

Espera aí? O nome do anime é “Detective Conan”, então, por que o protagonista é chamado de Kudo Shinichi?! Calma, que vão entender...

O rapaz acaba explicando o que sucedera no assassinato e depois de expor os fatos, aponta para o culpado, resolvendo o caso e deixando o assassino na maior saia justa. Depois disto, no outro dia, vemos ele acompanhado de uma garota, que é sua amiga de infância e que o protagonista é apaixonado secretamente. Seu nome é Mouri Ran, filha de um detetive particular e que conhece bem a personalidade de Shinichi melhor que ninguém, e os vemos indo para o colégio. Durante o caminho, ela o convida a ir a um parque de diversões, caso ela ganhe a competição de caratê – e ela é boa nisso, portanto, não a irritem, por favor – e ele topa.

Claro que ela ganha e ambos vão ao parque de diversões, onde acontece um assassinato na casa mal-assombrada: alguém teve a cabeça decepada e os suspeitos são os que estavam no brinquedo. Graças às suas habilidades, Shinichi encontra o culpado e descobrimos as causas dele ter cometido o assassinato e acreditem... vão ver muito disto no anime, as razões que levam alguém a cometer um ou mais assassinatos. Entre os suspeitos do caso, havia dois homens de preto, que deixaram o protagonista intrigado pra saber o que estavam fazendo em um parque de diversões e decide ir atrás deles.
É aí que o nome do anime vai fazer mais sentido, pois Shinichi os segue e vê uma transação ilegal acontecendo e quando vai interferir, um dos homens de preto bate na cabeça dele e lhe dá uma droga experimental, cujo efeito é matar a vítima sem deixar rastros, e eles vão embora. A droga faz efeito, mas, não da maneira que deveria, pois o que acontece é que o personagem diminui de tamanho até ficar pequeno. Quando é encontrado por dois policiais, acorda e pelo caminho percebe que a droga o transformou em uma criança, mas, manteve a mentalidade juvenil.

Chegando em casa, encontra o seu vizinho - o simpático e metido a cientista maluco, o Professor Agasa - e consegue convencer que é o próprio Kudo Shinichi, demonstrando suas habilidades dedutivas; troca de roupa e é aí que a situação fica complicada: sua amiga aparece e pede pra ser apresentado, e como não pode dizer seu real nome, fica encurralado no meio dos livros que compõe a biblioteca de sua casa. E é neste momento que olha para a lombada dos livros e escolhe duas partes de nomes de autores e se apresenta: Edogawa Conan.

Que nome... De quais nomes deram origem a este nome incomum? O sobrenome, Edogawa, vem de Rampo Edogawa, um escritor japonês de histórias policiais; e o primeiro nome, Conan, vem de Sir Arthur Conan Doyle, escritor inglês que criou as histórias do mais famoso detetive na literatura, Sherlock Holmes. Um nome que combina com a personalidade que Shinichi terá de se apresentar, afinal, se os homens de preto souberem que ele está vivo, a coisa pode ficar feia pra ele e para os que se envolvem com sua pessoa.

Resolvido a respeito da nova identidade, Conan vai morar na casa de Mouri Ran e de seu pai, o detetive particular Mouri Kougorou, e com eles vai se aventurar nos mais variados casos policiais ou particulares, usando de suas habilidades e de seu intelecto ao longo da série. Com isso, voltará ao ensino fundamental – de novo – e se envolverá em várias aventuras policiais.


Sobre os personagens da trama, a lista é um tanto extensa, até porque pra quem costuma assistir séries longas, é preciso criar personagens que interajam com os personagens principais e aproveitar para criar personagens secundários. O anime/mangá usa bem este recurso, pois como cada caso é diferente do outro, é preciso ter muita cabeça para seguir adiante. Por isso, serão apresentados apenas os três personagens que fazem parte da trama em geral: o protagonista Kudo Shinichi/Edogawa Conan; a amiga de infância e paixão secreta do protagonista, Mouri Ran; e o pai dela, o detetive particular Mouri Kougorou. São os que mais aparecem na série e com eles, a maior parte dos casos apresentados, afinal, se trata de uma série policial e precisamos de um núcleo que faça os fatos acontecer.

O protagonista não tem nada que seja extraordinário, apenas sua capacidade de analisar os casos é o seu elo mais forte, superando muitos personagens que dependem apenas da força bruta ou de poderes para superar os desafios. Um personagem normal, se preferirem... Shinichi gosta de futebol e costuma ficar dando umas embaixadinhas pra relaxar e ter mais mente fria para pensar, e seu maior exemplo é justamente o próprio Sherlock Holmes – nos livros, o detetive costuma tocar violino pra pensar melhor e se distrair – sendo sua maior admiração em sua vida. O personagem sabe muito bem quais procedimentos são feitos durante as investigações e como analisar as pistas que são deixadas nos crimes. Só há apenas um assunto que ele é péssimo: música e, além disto, canta muito, muito mal...

Ao se tornar novamente em uma criança, ele terá que readaptar sua vida e por mais que pareça uma criança qualquer, precisa fingir que tem exatamente a idade que aparenta. Por isso, costuma acontecer ele se esquecer deste detalhe e quase acaba com a “farsa”, quando se lembra do que já passou ou quando escutam as deduções dele. Tais cuidados são importantes para não descobrirem que ainda está vivo.


A respeito da Ran, amiga de infância de Shinichi, ela não sabe o que aconteceu com seu amigo, mas, não sabe que está tomando conta dele ou quase: já aconteceu algumas vezes ela reparar que Conan não é exatamente uma criança qualquer e suspeitar que fosse o Shinichi. Claro que ele consegue fazê-la tirar estas conclusões e deixar pra lá, no entanto, até quando ele vai esconder dela sua real identidade? Sua personalidade é tipicamente feminina, apesar de que é uma garota um pouco esquentadinha e quando acontece, costuma esmagar alguma coisa com as mãos ou dar um golpe de caratê. Possui uma grande preocupação, quando Kudo Shinichi desaparece e apenas se falam pelo telefone – como, apenas assistindo pra ver – e tem uma quedinha por ele: romance japonês em animes são assim...

Sobre seu pai, o detetive particular Mouri Kougorou é um homem mulherengo, muito prepotente e acima de tudo, uma pessoa de bom coração: mora apenas com a filha e com o Conan, formando uma família. O cara é separado da mulher – que não admite voltar pra ele – e cria uma agência particular para os que querem um serviço que não envolva a polícia. Kougorou já foi parte da polícia, mas, por motivos que são mostrados ao longo da série, saiu do departamento policial. Mesmo usando os conhecimentos que adquiriu com os anos que trabalhou na polícia, é do tipo que prefere seguir pistas mais óbvias e tirar conclusões mais simples.
 
Contudo, aos poucos recupera a credibilidade e isso é graças ao Conan, que consegue dar um jeitinho pra que Kougorou seja reconhecido e passe a ganhar mais popularidade. Como é possível, é graças às invenções feitas pelo Professor Agasa que Conan usa durante os casos: isto é um dos trunfos que o protagonista usa e estas invenções já salvaram a pele dele ao longo da série. Elas são as responsáveis para que Mouri Kougorou fosse reconhecido como um grande detetive e é mais ou menos assim: no momento que Conan já sabe quem é o culpado ou culpados, usa um relógio que contém um dardo sonífero e adormece o Kougorou, e, usando uma gravata sintetizadora de voz, usa a voz dele e dá as conclusões a respeito dos casos. E assim, o grande detetive Mouri Kougorou resolve mais um caso.


Pra terem uma ideia, estes casos são um dos fatores do anime/mangá durar tanto tempo: cada caso apresenta características bem distintas e mesmo que haja repetições em certos tipos, são vistos de uma forma diferente da outra. Isso dá para a série um estilo próprio e ao mesmo tempo, inovador, pois não vai decair na forma de apresentar o caso da semana. Outra característica é por ser uma série policial mais tradicional, onde é mostrado o caso, as causas, as pistas e a solução; quem já viu séries policiais como “CSI”, se sentirá em casa. Claro que a série não fica banalizando o crime ou mostra cenas impactantes demais, só mostra o que aconteceu e os motivos daquele crime ter ocorrido, sendo até leve neste quesito. Mas, não se deixem enganar pelo traço da série, porque apesar do estilo remeter a séries infantis – “Pokémon” lhe deseja lembranças – a animação e o mangá não são essencialmente infantis em seu conteúdo: haverão cenas fortes e as mortes são mostradas, não importando se é um assassinato, sequestro, roubo ou outras opções criminosas.

Os episódios da série apresentam um ou mais assassinados, com algumas exceções, lembrando muito as notícias policiais que acompanhamos nos jornais ou na televisão, tornando-se mais autêntico durante sua exibição. Além disto, a série não sofre muito o fator dos episódios continuativos, tão comuns nas séries em geral, pois dá pra assistir e pular para um episódio mais interessante: no entanto, ele possui episódios que se encaixam no enredo principal e se você pular pode acabar boiando quando vir personagem X ou Y e não entender de onde apareceu ou situações que interligam o cotidiano dos personagens da série. Portanto, se quiser assistir esta série, nada de ficar pulando episódios ou pode acabar se dando muito mal...

E tem os episódios duplos, quando um caso é mais elaborado e não dá pra resumir em um único episódio: nestes casos, o crime é cheio de pistas e a lista de suspeitos costuma ser maior, no mínimo dois ou mais suspeitos. A série aproveita e muito deste recurso, dando a oportunidade de analisar o caso com mais calma. Isso dá para o espectador a chance de descobrir quem foi o culpado daquele caso, antes que o protagonista defina a solução e isso é bem bacana, pois podemos definir o causador de tudo a partir das pistas dadas durante o episódio.


Por isso e outros fatores que não serão citados para não estragar as surpresas que a série oferece, “Detective Conan” é um daqueles casos de animes/mangás onde é possível bancar o detetive e quem sabe, conhecer um anime que diferencie dos animes que estamos acostumados a assistir. Um verdadeiro clássico nos mangás e nas animações japonesas: é apenas assistindo que verá o porquê é uma série tão simples e ao mesmo tempo, tão complexa em sua execução.


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3 comentários:

  1. Seja bem vinda e boa sorte!

    O Animahaus sempre foi um ótimo guia pra mim (e para muitos), mas é uma pena ser atualizado a cada 3 meses!

    Ótima Review!

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  2. Olha o pessoal roubando meus leitores, pra transformá-los em autores de seus blogs =D. Excelente post Escritora! Tão bom como seus comentário lá no AP, talvez um pouquinho melhor!

    Sem brincadeiras agora, ficou muito bom mesmo esse post sobre Conan! O que me lembra que preciso voltar a vê-lo.

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    1. Temos bons "olheiros" para buscar novos talentos na blogosfera. ;)

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