27 de maio de 2013

Resenha: GJ-bu



É moe. E ponto.




Ano: 2013
Diretor: Yoshiyuki Fujiwara
Estúdio: Dogakobo
Episódios: 12
Gênero: Comédia / Slice-of-Life
De onde saiu: Light novel, 9 volumes, finalizada (2010-2012)



*****


No Good Job Club pode-se fazer quase de tudo, simplesmente porque, na realidade, ele não possui tema algum. Ao lado da presidente Mao, da vice Shion, de Megumi e de Kirara, o jovem Kyouya passa suas tardes em meio a muitos diálogos despreocupados e tarefas inúteis, aproveitando o quanto pode sua vida de colegial – mesmo que, constantemente, ele sofra zoações por parte de suas colegas, além de mordidas vindas de uma tal baixinha mandona...


Para que se dar ao trabalho de criar um background? Adaptação de uma light novel auto considerada a primeira em formato 4-koma (tirinhas em quatro quadros, e nesse caso cada volume narrava vários contos de quatro páginas com ilustrações), “GJ-bu” não se preocupa em pensar nisso: há uma sala em uma escola sem nome que é tratada como um clube sem objetivo algum, e nela cinco estudantes gastam as tardes jogando conversa fora. Histórias de clubes já saturaram e alcançaram tal ponto que, bem, uma hora apareceria algo assim, e este nem chega a ser o primeiro. É, pelo menos, sincero? Pois, de qualquer forma, já é melhor do que animes com clube de astronomia que só fala de estrelas em um episódio, ou com clube de informática onde mal se veem computadores...

Ignorando esse fato, a meta primordial de “GJ-bu” é clara, desde o início; cativar e seduzir o espectador através dos traços excessivamente lindinhos e delicados de suas personagens, que não dispensam aqueles típicos trejeitos tão irreais e engraçadinhos. Nisso, a meta é atingida muito acima do esperado, estourando qualquer medidor de “moe” que seja usado; mas, em contrapartida, todo o restante acaba sendo prejudicado ao ficar em segundo plano.


Kyouya é um tipo de personagem bastante comum na carreira de Hiro Shimono (Akihisa em “Baka to Test to Shoukanjuu”, Satoshi Yabe em “Mitsudomoe”), "seiyuu" acostumado a papéis de "losers"; tem bom coração, é uma pessoa amigável e dócil, mas é tão ingênuo e lerdo (e estou sendo eufemista...) que acaba se tornando alvo de constantes piadas. Os mandos e desmandos da Mao, as mentiras que soam como verdades da Shion, o comportamento esquisitinho da Kirara, o tratamento dócil da Megumi... É óbvio que elas fazem o que bem entendem com ele, é dispensável dizer que ele, submisso, faz tudo que lhe pedem e quase sempre sai derrotado numa discussão, e, como não poderia deixar de ser, é claro que jogam de quando em quando cenas onde ficam à mostra que uma ou duas garotas sentem algo mais forte pelo colega; mas, quanto a isso, é algo tão gratuito e jogado a esmo, e Kyouya por si só é um personagem tão apagado e sonolento, que um parágrafo desse tamanho para sua pessoa até que foi muito. Está bom, chega. As meninas reinam aqui, nesse anime tão visualmente enjoadinho.


Foi fácil demais tirar screenshots para a resenha de "GJ-bu", devido ao abuso intenso de cenas estáticas que esbanjam olhinhos cintilantes e contornos salientes, que por sua vez se alternam entre chamativos traços grossos e finos. As bochechinhas infladas da Mao (dublada por Maaya Uchida, que fez recentemente a fofinha Takanashi Rikka de "Chuunibyou demo Koi ga Shitai!!") quando algo não sai como ela esperava, os embaraços de Shion, os sorrisos radiantes de Megumi, as jogadas de cabeça da Kirara - dublada por uma novata de somente treze anos, Chika Arakawa - ao ver que os outros não entendem algo que, para ela, faz todo o sentido... São poses e mais poses, closes e mais closes, de rostinhos inocentes e angelicais. Anime é uma experiência audiovisual, porém no caso de "GJ-bu" você não vê unicamente, mas deleita-se com o charme que essas menininhas ostentam apenas com o auxílio da animação econômica - só notar como são pobres as tomadas externas, além dos poucos frames em cenas mais movimentadas - do estúdio Dogakobo. Todavia, o comportamento anormal de Kirara, mais se portando como uma felina do que uma humana (repare nas pseudo-orelhinhas dela) é uma graça, a chatice de Mao é adorável, e até Shion e Megumi são simpáticas; porém, elas infelizmente se mostram estereotipadas em excesso, caindo constantemente em artifícios manjados e reciclados que, aos mais "experientes" (entre aspas mesmo, de forma alguma pretendo sugerir que quem viu muitos animes é melhor que aquele que viu poucos) será um martírio de se presenciar. Se atenha ao visual, se for do seu gosto, prende-se a ele e não o solte, porque a falta de criatividade da obra original e a má adaptação fazem com que isso seja, de longe, o principal atrativo da série para a maior parte das pessoas.


E o problema não é por se tratar de um "slice-of-life" que se passa, quase o tempo inteiro, dentro de uma sala, por mais chato que isso possa soar - todas as cenas externas, juntas, não chegam a um episódio. "Seitokai no Ichizon" era assim, e fez sucesso em seu tempo (2009), ainda que a esperada segunda temporada tenha passado em branco três anos depois. E ter um líder masculino fraquíssimo é um defeito (algo raro no gênero, o tarado Sugisaki de "Seitokai" conseguiu ser mais querido pelo fãs do que qualquer garota de seu falho Harém), mas não o único. A questão de maior importância fica na execução: responsável pela supervisão e composição dos roteiros, Hideaki Koyasu constrói em "GJ-bu" episódios quebradiços e informes, que carecem de dinamismo e fluidez. Com esquetes que terminam bruscamente e que se conectam mal entre si, fica exposto que a adaptação foi fiel demais à light novel e seus minicontos de quatro páginas, mídia cujo formato permitia que essas historinhas fossem bem mais agradáveis de se acompanhar. Já em uma animação de vinte minutos, o resultado é um ritmo arrastado e sem compasso, totalmente perdido e enfadonho. Faltou, simplesmente, alguém na equipe que soubesse não apenas copiar o original, mas modifica-la a ponto de torna-la interessante em outra mídia, adicionando e interligando elementos. Sozinho, parece exagero falar isso, mas é só comparar com outras animações vindas de formatos limitados, como "K-ON!" ou "Kotoura-san" - ambas de tirinhas 4-koma de verdade -, por exemplo, para notar o quão seus episódios avançam com uma naturalidade muito maior. Pelo menos, é sensível a evolução nesse quesito lá para o último terço da série, que apresenta uma fluidez estável.


Essa mais subjetiva, pessoal, mas não tanto a ponto de ser ignorada, é a própria postura estereotipada das personagens, citado acima, numa comédia debilitada e banal. Momentos de grande inocência como Shion não querendo beber da mesma lata que Kyouya por isso ser um "beijo" indireto, ou Mao não gostando de mangás "shoujo" porque neles ela corre o risco de presenciar beijos entre homens e mulheres, são exemplos disso. Meninas colegiais puras, para variar, e em um grau um pouco acima do normal, pois se trata o tempo todo de um rapaz bobinho no meio de quatro garotas bobinhas - ou cinco, seis, sete, oito, se for contar a invasão de "lolis" a partir da metade, dentre elas a irmã de Kyouya que, surpresa, sofre de um intenso complexo de irmão... Para quem já gosta desse tipo de ambiente ingênuo em graus altíssimos, "GJ-bu" não terá somente seu visual meigo como atrativo; por outro lado, àqueles que não suportam mais esse estilo ou nunca gostaram mesmo, eis aqui um anime que testará muito sua paciência caso se arrisque a vê-lo. É uma garota se estressando com o seu peso (47kg e se acha gorda!), é uma riquinha gênio que mal entende o que é amor, é uma baixinha mimada que age como uma criança e adora morder seu colega, é um dilúvio de piadas infantis e sem sal que, antes de fazer rir, possuem a missão de mostrar o quão essas garotas são graciosas, seja isso em atos ou frases. É possível ter os dois, humor de qualidade e personagens femininas que são perfeitas "waifus", mas "GJ-bu" não é uma obra que consegue tal proeza. E em momento algum sequer tenta isso, ao humildemente se contentar em seguir padrões usados à exaustão para obter o que deseja.


Enfim, vai permitir ser fisgado pelo "moe"? Lindo de doer, "GJ-bu" é um colírio para os olhos, sem dúvida, e vê-lo unicamente por conta do seu mundinho colorido (que se resume a uma sala...) e elenco bonitinho - até Kyouya não escapa disso - não é pecado algum, pelo contrário; cada um que escolha um motivo para gostar desse anime, tanto faz se só pela embalagem vistosa ou por sentir afeição ao conteúdo singelo e inocente, mesmo que mediano. No meu caso, a primeira opção foi o que me motivou até o fim, e não sinto estar exagerando ao afirmar que "GJ-bu" é, por ora, o anime mais fofo de 2013 - empatado com "Puchimas!" talvez, vai, mas competir com essas "idols" em formato chibi é injustiça...



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Nota: 6

(aos poucos leitores que sobraram após o blog mudar de endereço sem querer, ficaria grato em saber a opinião quanto ao uso de notas em resenhas, se é algo que tem alguma relevância para quem lê ou não)


(clique para uma melhor visualização)



No MyAnimeList (26-05):

O anime está na 1023ª posição, com nota 7.63.

A light novel tem nota melhor, 8.50, mas só 8 usuários a avaliaram, e por conta disso não está ranqueada.

Igual a outra light novel, GJ-bu Chutobu, "spin-off" focado nas irmãzinhas dos protagonistas, que formam em sua escola um clube inspirado no "Good Job Club"; 9 de média, mas apenas 2 usuários deram nota.


Personagens mais favoritados:

- Kirara - 71 favoritos








2º Shion - 67







3º Mao - 54







4º Megumi - 44







5º Kyouya - 17







6º Tamaki - 12









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Meu perfil no MyAnimeList, com indicações semanais de matérias diversas sobre o mundo otaku feitas por este e outros sites;

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11 comentários:

  1. Não consegui passar do segundo episódio. Muito fraco, me surpreendeu foi a nota do MyAnimeList. Mesmo que tenha muito japones por lá.

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    1. Sim, também acho a nota alta demais para um anime desses... E, ah, é fraco mesmo, tanto pelo humor bobinho em excesso quanto pela má execução na montagem dos episódios, mas é como falei no final da resenha, o visual foi o que me fez seguir semana a semana até o final =x

      Assim, não poucas vezes pausava o vídeo só para admirar um pouco mais alguma cena, foi realmente um banquete visual para mim que compensou o tédio... Particularmente, adorei muito a Kirara e a Mao, quando esta não era caprichosa demais...

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    2. Não que seja por um "anime desses", mas por esse em si. Já que nas suas citações todos são melhores que ele(não vi só Ebiten) e o visual dos personagens é sim muito bonito, mas não consegue segurar pelo menos a minha audiencia.

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  2. Me interessou pelas referências (obras semelhantes).

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    1. Ha, com exceção de "Ebiten" que é ruim mesmo, todos os outros são bem melhores que "GJ-bu"...

      Conhecendo você, acho que acabaria dropando bem rápido =F, o ritmo é sonolento demais e as piadinhas muito fraquinhas, a maioria...

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    2. E para nossa surpresa to gostando bastante do anime mesmo sem ser especificamente fã de moe :~

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    3. e pq nem lembrava o motivo dele estar adicionado na minha lista

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    4. Ha, você ter gostado desse anime foi mesmo inesperado... E ainda foi por motivos diferentes da maioria ><

      Anunciaram há pouco uma segunda temporada.

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  3. Esse eu passei batido. Já gostei muito de animes leves com piadas medianas, porém hoje me dia eu estou sem tempo para assistir obras desse tipo, uma vez que não são minha prioridade. Se sair um OVA de Gj-bu eu certamente assistirei.

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  4. (aos poucos leitores que sobraram após o blog mudar de endereço sem querer, ficaria grato em saber a opinião quanto ao uso de notas em resenhas, se é algo que tem alguma relevância para quem lê ou não)

    O que foi que aconteceu com o outro domínio?

    Eu definitivamente gostaria sim de notas nas resenhas, até pra efeito de comparação. Se forem feitos pelo mesmo autor então melhor ainda.


    Aliás, muitos dos animes que eu tenho assistido foram indicação de vocês, nos ultimos seis meses eu assisti nada mais nada menos que 48 dias de animes, uns 80% indicado por vocês.

    http://myanimelist.net/animelist/GabrielJMC

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    1. Ha, houve um problema quanto à atualização do domínio, o Bebop está tentando resolver isso.

      'brigado pelo comentário, pelo menos nas minhas resenhas haverá notas - nas da Escritora e do Bebop fica a cargo deles, pois cada um monta o texto da sua maneira. Quando possível adicionarei também notas às minhas resenhas anteriores a essa.



      @Seu Açougueiro
      "Não que seja por um "anime desses", mas por esse em si."

      É que não queria responder só para escrever isso, mas não quis dizer o gênero em especial, mas esse anime em si mesmo, como você falou. Uma nota alta demais para algo tão irregular como é "GJ-bu".

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