21 de agosto de 2013

Entrevista com Shinji Takamatsu (diretor)










Nova entrevista traduzida do Anime News Network, dessa vez a respeito de Shinji Takamatsu. Diretor de animes como "School Rumble" e "Gintama", aqui lhe foram feitas dez perguntas sobre sua penúltima obra, o agradavelmente idiota "Danshi Koukousei no Nichijou".




Essa entrevista foi publicada no dia 16 de agosto e realizada por Bamboo Dong, e pode ser lida aqui. Em parceria feita com a NIS America (subsidiária da Nippon Ichi Software, empresa japonesa de jogos que há alguns anos também faz negócios na área de animes), o ANN pediu a seus leitores que enviassem perguntas a serem feitas para Shinji Takamatsu sobre este anime exibido em 2012 no Japão e lançado nos Estados Unidos pela NIS America no início do mês. Os que tiveram suas questões escolhidas ganharam o box de luxo da série, com 2 discos em Blu-ray e um livro de 30 páginas colorido repleto de extras. A entrevista foi traduzida na íntegra.


Box lançado nos EUA, ao preço de $51,99


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Tendo que trabalhar a partir do mangá homônimo de Yasunobu Yamauchi, que liberdades criativas lhe foram permitidas?
Quando começamos a trabalhar no anime, eu me encontrei com o Sr. Yamauchi e ele me disse: "Estou deixando isso em suas mãos, então faça da maneira que achar melhor." No entanto, eu realmente gosto da atmosfera preguiçosa e todas aquelas gags descontraídas, então respondi: "Eu vou fazer do modo como está escrito". Basicamente, a série é igual ao original, com casuais segmentos bônus feitos da maneira que eu queria fazer.

O mangá de "Danshi Koukousei no Nichijou" contém bem mais capítulos do que o anime. Como você decidiu quais capítulos deveria incluir ou retirar?
Ao iniciarmos, olhei para ele como um anime de 30 minutos e, em seguida, selecionei e organizei vinhetas do mangá afim de se ter uma sensação de plenitude. Porém, quando começamos a nos aproximar do que estava sendo impresso no mangá, nós fomos apenas adaptando os quadrinhos direto para o anime. Depois que este acabou, o mangá continuou, então há alguns capítulos que eu gostaria de ter incluído na série, também.

Encontrar o ritmo certo para as múltiplas histórias individuais em cada episódio parece um desafio logístico, dado o limite de tempo de meia hora. Como você executou tal tarefa?
Normalmente, a duração das cenas é definida durante as etapas de cenário e storyboard, mas para este trabalho nós colocamos as coisas de forma muito vaga e jogamos para a fase de edição. Se tínhamos tempo sobrando, colocávamos vinhetas extras, ou usávamos as imagens que eram como os frontispícios engraçados do mangá e aproveitávamos deles nos intervalos; ou então, como quando os três rapazes estavam conversando distraidamente, rebatendo a bola de vôlei, ajustaríamos a duração disso. O ritmo dos episódios foi criado dessa maneira. Na verdade, temos várias vinhetas que não entraram nos episódios por questão de tempo. (algumas dessas "sobras" foram lançadas mais tarde em Blu-ray e DVD).

No passado, você foi diretor de obras de "mecha" muito mais sérias (ex: "Mobile Suit Gundam Wing"). Você dirige comédia e ação de forma diferente?
Simplesmente, já que é eu quem está  dirigindo em ambos os casos, não acho que é muito diferente. No entanto, o tipo de trabalho que está sendo tratado é diferente, então, naturalmente, as atuações e expressões não serão as mesmas.

Além de "Danshi Koukousei no Nichijou" você já teve alguma experiência dirigindo comédias, como por exemplo "School Rumble" e "Gintama". O que este anime difere ou se assemelha na direção em relação as outras comédias em que tomou parte?
As partes mais engraçadas da série são aquelas que passam a sensação de "Isso poderia perfeitamente acontecer", a preguiça dos meninos, e quando eles simplesmente lançam coisas por aí, então eu tinha de ter cuidado para não levar as coisas tão longe como eu faria em "School Rumble" ou "Gintama". No entanto, eu usei o conhecimento que juntei de minhas experiências passadas como diretor. Pegar as linhas e canta-las, ou adicionar comentários nos intervalos do patrocinador são uma espécie de marca registrada do meu trabalho.

Como você acha que um timing cômico se compara com um timing dramático - isto é, se você está fazendo o storyboard de uma sequência bem-humorada, você segue um ritmo relativamente diferente do que quando está montando o storyboard de uma sequência de ação?
Claro, se o gênero e o trabalho em questão são diferentes, a maneira como você lida com o "timing" também será. Há muitas partes instintivas, mas desde que sou eu quem está fazendo isso, haverá alguma sobreposição, e isto poderia mudar dependendo de como estou me sentindo. Para este trabalho, em vez de durante os storyboards, nós trabalhamos na criação do ritmo durante a edição, em muitos casos.

Você esteve envolvido nos roteiros de todos os 12 episódios de "Danshi Koukousei no Nichijou", contudo ficou com o storyboard somente do último episódio. Por que escolheu em trabalhar apenas no storyboard desse episódio e não em quaisquer outros anteriores?
Anime é um processo colaborativo, então eu acho que você tem que trazer diferentes pontos fortes dos diretores de cada área. Sinto que o diretor principal está lá para conduzir todos esses pontos fortes juntos, e é assim que eles acrescentam a sua cor pessoal à obra. Desta vez a minha assistente de direção foi Ai Yoshimura (que teve seu primeiro trabalho como diretora há pouco tempo, em "Yahari Ore no Seishun..."), e eu deixei o controle dos storyboards a ela. Quanto a estes, fui creditado somente no do episódio doze, mas o da sequência antes dos créditos no primeiro episódio, assim como os das peças originais, eram quase tudo meu.


Os meninos de “Danshi Koukousei no Nichijou” têm experiências realmente ultrajantes e engraçadas ao longo da série. Alguma coisa tola já aconteceu contigo quando estava na escola?

Eu, também, estudei em uma escola só para garotos no ensino médio, por isso havia muitas sequências onde imaginei "Sim, isso poderia acontecer." Quando estava no colégio eu fiz filmes em uma câmera de 8mm, porém, já que me encontrava em uma escola apenas para garotos, tive de colocar uma saia e desempenhar o papel de uma menina, assim como Tadakuni.



Na série, as meninas permanecem como sendo aquele “outro” misterioso para a maioria dos garotos. Como um adulto agora, sente que este conceito ainda é válido para você?
Acho que sim (risos). De todo modo pode ser que, pelo fato de os homens e as mulheres não entenderem um ao outro, é que faz as coisas tão interessantes.


"Danshi Koukousei no Nichijou" tem um elenco de dubladores bastante eclético - Tomokazu Sugita, Aoi Yuuki, Akira Ishida e por aí vai. Como foi trabalhar com eles? Algum acontecimento memorável?

Cada dia de gravação foi divertido e animado, então era como se estivéssemos em uma escola real. Para este trabalho, os atores agiram de acordo com o modo que se sentiam a respeito da cena, sem ser dado a eles alguma direção. No entanto, após as suas tomadas, eles olhavam para mim como se perguntassem: "Isso ficou bom?" (risos). Então, sinto que os personagens e os atores foram todos feitos em conjunto.

Tenho uma última coisa que gostaria de dizer. Quando ouvi que "Danshi Koukousei no Nichijou" seria trazido para a América do Norte, fiquei surpreso. Gostaria de saber se um trabalho tão doméstico seria capaz de ser apreciado por pessoas estrangeiras. Contudo, descobri que havia muitos fãs, então fiquei aliviado e pensei "Ah, não importa em que país eles estão, meninos do ensino médio são idiotas". Essas crianças adoráveis podem ter sido caricaturadas, mas são os verdadeiros meninos do ensino médio do Japão. Por favor, aproveite este anime. Muito obrigado.




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