25 de dezembro de 2013

Mirai Nikki


















Alternativo: The Future Diary (em inglês)
Diretor: Naoto Hosoda ("Hataraku Maou-sama", "Minami-ke Okawari")
Ano: 2011
Estúdio: Asread
Episódios: 26
Gênero: Ação / Suspense / Terror
De onde saiu: Mangá, 12 volumes (2006-2010) + 3 spin-offs, finalizado.



Por Escritora Otaku


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É muito comum que uma pessoa possa escrever sobre seu cotidiano na forma de um diário: apesar de ser algo mais visto por meninas, os meninos também costumam usar este recurso. Alguns conseguiram o feito de se tornarem verdadeiros registros sobre vidas de inúmeras pessoas, sejam vivas ou já falecidas. Um diário é onde muitos colocam o que pensam que poderia acontecer ou lembrar com graça ou não os acontecimentos que fizeram parte de sua existência.

O que aconteceria se você pudesse ter um diário capaz de prever seus passos ou ações futuras? Três respostas seriam prováveis: a primeira, deixar de lado o diário; a segunda, destruí-lo, pois saber do futuro pode acarretar efeitos graves e irreparáveis; e a última resposta, usar para poder ser alguém a mais na multidão ou ter um objetivo a mais. E é a última resposta a premissa da série que será apresentada...

O mangá foi publicado pela Shounen Ace, que traz histórias de estilo mais underground, com traços e roteiros que ficam entre o convencional e o ousado, como “Evangelion”, “MPD Psycho”, “Welcome to the NHK!”, entre outros mangás. A série possui 12 volumes encadernados e três spin-offs que retratam histórias de personagens da trama – “Mirai Nikki:Mosaic”, “Mirai Nikki: Paradox” e "Mirai Nikki Redial", que podem ser lidos junto com o mangá ou depois –, trazendo toda a história em si. Seu mangaká, Sakae Esuno, usou um traço que tem sido visto em muitas animações e mangás nos últimos anos: um estilo kawai e simpático, que é motivo de discussão e de discordância por ser um recurso recorrente à exaustão, dando a impressão de se tratar de mais uma série infantil, como dizem algumas pessoas por aí.

“Mirai Nikki” significa Diário do Futuro, então, muitos dos fatos vistos na série são sequelas ocasionadas pelo uso de diários que podem prever ações futuras de seus usuários. A história mostra um dos personagens centrais da série, Amano Yukiteru, um garoto fechado, cuja personalidade não permite que tenha muito contato ou convívio com outras pessoas e até mesmo com os seus colegas de classe. Uma pessoa solitária, que costuma escrever suas ações em um diário no celular e é motivo de chacota de outros garotos por não ser alguém ativo. Mora apenas com a mãe, que é ausente e isto aumenta mais a solidão dele, que não consegue expressar seus sentimentos ou opiniões por palavras ou ações.

Costuma ficar mais no quarto, onde lá o garoto “criou” dois “amigos imaginários” com os quais costuma conversar: um é Deus Ex-Machina, uma criatura com poderes de controlar o tempo e o espaço, sempre sentado em seu trono, e a outra é MuruMuru, uma menininha que é uma espécie de demônio que gosta de comer e ler mangás. Estes dois vivem em um mundo paralelo criado pelo Yukiteru e um dia, eles decidem dar uma reviravolta na vida do garoto: seu diário no celular passa a mostrar ações futuras dele mesmo e aí, começa a aproveitar esta oportunidade para se livrar de situações ruins. Tudo ia bem até ele topar com Gasai Yuno, outra personagem central da trama, que também possui um diário: o seu registra todas as ações do próprio garoto de dez em dez minutos. E começa a perseguir Yukiteru, onde acaba descobrindo que não fora o único a possuir um diário do futuro e o pior de tudo: eles e mais dez pessoas estão em um jogo de sobrevivência, onde o vencedor se tornará o próximo Deus Ex-Machina e será capaz de realizar um desejo.

A partir deste ponto em diante, a série mostra o desenrolar dos personagens para conseguir ganhar deste jogo e sobreviver, pois caso o dono ou dona do diário perca, acaba sendo morto e eliminado da competição para sempre...

Como série de curta duração, “Mirai Nikki” possui uma galeria de personagens bem pequena e que ao mesmo tempo, consegue transmitir a sensação de participação deste jogo. Não fica difícil definir quais personagens tem mais destaque e quais farão apenas uma pequena aparição ao longo da história. Por isso, para dar o toque do qual se tornou conhecido, é necessário dar uma análise de dois personagens: os que aparecem desde o começo, Amano Yukiteru e Gasai Yuno.

Amano Yukiteru se encaixa em um perfil que pode irritar o espectador ao vê-lo em ação: indeciso, covarde e dependente dos outros para agir; características que apesar de não serem comuns em personagens de séries shounens, podem ter atitudes e ações mais convencionais, o levando como o personagem mais normal em “Mirai Nikki”. A personalidade do garoto possui uma razão por trás, que somente acompanhando a trama pode dar uma maior compreensão de sua pessoa: a separação dos pais. Quem acompanha o mangá ou o anime, sabe que o garoto é solitário e tem uma mãe ausente e o pai simplesmente some depois de ambos se separarem. E quem fica mais afetado com este fato é o próprio rapaz, pois se antes era quieto e na dele, após isso se tornou mais antissocial do que nunca.


Esta situação se encaixarmos no mundo real, pode-se notar que os que ficam mais afetados em relação à separação são os próprios filhos, que não entendem porque os pais têm de se separar. Uns conseguem entender e levam uma vida comum, mas a maioria perde o contexto da realidade e permanecem com sequelas que podem permanecer pelo resto de suas vidas. Sequelas que o personagem leva durante toda a trama...

No caso de Gasai Yuno, podemos notar uma personalidade psicopata, assassina e de certa forma amorosa de maneira bizarra na relação que tem com o Amano Yukiteru. Suas atitudes e superproteção que tem com o garoto chegam a níveis inimagináveis, agindo como uma "yandere", um tipo de personagem que tem ficado em destaque em mangás e animes nos últimos anos. Tudo que ela faz é para o bem-estar dele, sem medir as consequências de seus atos e tal como ele, teve problemas com os pais que a tornaram daquele jeito. De todos os personagens da série, ela tem uma personalidade que chega a ser irreal e ao mesmo tempo, selvagem. No caso dela, temos a imagem dos perseguidores, que são indivíduos que não medem esforços para ficarem perto de suas admirações e acabam ocasionando situações nada agradáveis. Afetam as que seguem atrás e as quem tem contato com esta pessoa.

Uma das principais características da trama é mostrar como os donos destes diários resolvem se sobressair no jogo de sobrevivência, e vale tudo para ganhar vantagens: terrorismo, sequestros, fingimento e até usar outras pessoas para pegar este ou aquele dono do diário do futuro. A maioria dos diários são celulares, mas existem outros com formato de rádio, de caderno e até mesmo um diário que mostra todas as ações dos outros sem sair do lugar. Cabe aos donos ou donas definir a melhor forma de aproveitar as habilidades que estes objetos podem oferecer e ao mesmo tempo, fazer o possível para não serem pegos pelos outros. E este é um dos trunfos que “Mirai Nikki” traz ao público, pois, como cada diário tem uma maneira de retratar os fatos, os donos devem saber das vantagens e desvantagens que eles têm para não serem pegos desprevenidos.

Os donos destes diários de certa forma entram neste jogo por motivos que são desde nobres até mesmo insanos, e seus comportamentos são bastante alterados por saberem de antemão o que acontecerá a eles. Diríamos que a maioria perde a razão conforme usam estes diários e surgem instintos incomuns, que tornam este dono um psicopata ou um maluco sem noção das coisas. Até mesmo os que ainda não perderam a razão podem se transformar em pessoas totalmente diferentes do que eram, para que possam ter seus objetivos cumpridos e assim chegarem mais perto da recompensa deste jogo.

No começo, como parte do jogo, os donos são vistos apenas em sombras, para não serem identificados, mas, conforme o jogo avança esta regra acaba sendo abolida após a eliminação de parte deles. E a história traz revelações que acarretam consequências que influenciam na vida pessoal e até social destes donos com outras pessoas. Quando pensamos que não há mais nada a ser mostrado, eis que surpreendemos com o desenrolar e o choque de certa revelação sobre este ou aquele personagem. Claro que tudo em “Mirai Nikki” chega a ser um tanto absurdo e fora da lógica comum, então, pra entender os fatos vistos na série é preciso ser um tanto mente aberta para aceitar as situações mostradas.

O estúdio produziu uma animação seguindo o roteiro do mangá e pasmem, de um dos spin-offs – no caso usaram partes do “Mosaic” – sendo um caso raro pegar além da versão original, como ocorre normalmente. A animação foi bastante convencional, sem grandes atrativos; dublagem padrão – apesar das reclamações de algumas vozes – e alguma censura, amena se compararmos com outras animações. Fora a adaptação, no final de cada episódio podemos ver esquetes cômicas com MuruMuru interagindo com os personagens da série, que também aparecem no mangá.

A série teve dois temas de abertura e dois temas de encerramento, fora que na versão em DVD, houve acréscimos de mais uma abertura e de um encerramento. A primeira abertura “Kuusou Mesorogiwi”, tocada pela banda Yousei Tenkoku tem um clima sombrio e assustador, tanto pela música quanto o clip usado pra representa-la; o primeiro encerramento, “Blood Teller” cantado pela cantora Faylan, possui um ritmo mais marcado pelo suspense. A segunda abertura, “Dead End” por Faylan é cantada em inglês e traz um toque mais acelerado e que revela a personalidade dos donos dos diários antes de entrarem no jogo; e o segundo encerramento, “Filament” de Yousei Teikoku, tem um toque mais tranquilo e de certa forma triste, focando no clip uma das personagens da trama, Gasai Yuno.

Na versão em DVD as músicas acrescentadas foram: “KyoukiChildren” – abertura – cantada pela banda Yousei Tenkoku, e “Happy End”- encerramento – cantada pela cantora Faylan. Curioso ressaltar que o estúdio optou em manter cantora e banda para tocar as músicas, o que não é tão incomum, pois há animes que optam em manter o elenco musical.


Mas, vale a pena assistir “Mirai Nikki”? Sim, porque apresenta a trama do mangá em movimento e cores, dando a oportunidade de conferir o jogo de sobrevivência e as consequências de usar um diário capaz de ver o futuro. Afinal, como será que os personagens vão se sair e qual deles vai conseguir ganhar o jogo? Só assistindo ou lendo pra obter as respostas...



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2 comentários:

  1. Foi um anime que me impressionava em um ep pra me decepcionar no seguinte. Acho que cansei disso lá pelo 20º ep :~

    mas tem nego que pula no teu pescoço se tu falar isso hehe.

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  2. Tem um bom começo e um bom final, mas o meio é um caminhão de esterco

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