23 de agosto de 2014

Romeo X Juliet



Saudações: estou de volta e com uma nova resenha saindo do forno. Quem diria: uma das histórias mais famosas do mundo em anime...

Este é um dos fatos que me faz ter mais interesse de acompanhar a animação japonesa, a de criar e adaptar histórias para todos os gostos. Adaptações literárias têm sido tão comuns hoje em dia e no Japão não é diferente, apesar de que foram nas décadas de 70 e 80 que ocorreu a “era de ouro” das animações baseadas em clássicos universais. Ao menos, foi melhor que a trama original, em minha opinião.



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Ano: 2007
Diretor: Fumitoshi Oikazi
Estúdio: Gonzo
Episódios: 24
Gênero: Aventura / Drama / Romance
De onde saiu: “Romeu e Julieta”, peça teatral



Por Escritora Otaku



Histórias de amor são comuns e incomuns, depende do ponto de vista de quem escreve ou dirige. A maioria gosta quando o casal principal supera todas e acaba se casando e vivendo suas vidas sem empecilhos, e detesta quando este casal termina a desventura de maneira trágica ou triste: aí, as lágrimas são garantidas e ficamos pensando “qual a razão disto ter ocorrido?”.

Essa história é uma das mais famosas e quem a escreveu foi o dramaturgo William Shakespeare, famoso por suas peças de teatro: escrevia peças cômicas ou trágicas e era capaz de usar as palavras para expressar o melhor de seus textos. “Romeu e Julieta” conta sobre um amor proibido, pois as famílias dos dois jovens eram rivais de longa data e não queriam eles juntos. E ela termina de forma trágica; com certeza nem precisa ter lido a obra original pra saber disto, afinal, esta obra foi adaptada várias vezes em diferentes versões, umas mais fiéis e outras nem tanto.

Já a versão anime desta história segue o enredo e nos leva para um mundo medieval fantasioso, existente em algumas animações japonesas. “Romeo X Juliet” possui a essência da trama original e consegue ir mais além em alguns termos, como veremos a seguir.

A trama se passa em Neo Verona, uma ilha flutuante, onde duas famílias reinam: os Capulets (Capuletos) e os Montagnes (Montéquios), que por anos coexistiram sem rixas. Claro que esta harmonia não ia durar e o atual líder dos Montagne decide tomar o poder pra si mesmo, matando todos os Capulets para ter o poder de Neo Verona. Seria o plano perfeito; no entanto, um dos Capulets consegue fugir dessa chacina e essa pessoa é Juliet, que viu seus pais serem mortos. E ela seria a próxima vítima se não fosse salva por um dos subordinados da família, que a tira de lá e deixam o palácio.

Quatorze anos depois, Neo Verona é governada pelo Duque de Montagne – o cara que massacrou os Capulets sem piedade – onde os ricos possuem o bom e melhor, enquanto os pobres têm de passar com o pouco que dá pra viver. Esta diferença de classes sociais revela os dois lados: entre os ricos, manter as riquezas e os status; aos pobres, ter o de comer e ter ânimo com a vida. Também podemos observar as consequências da opressão contra os menos favorecidos: desde prisões e trabalhos forçados até a morte dos que não aguentam tanto sofrimento e dor. Além de tudo, é óbvio reparar nas opiniões de cada pessoa que ora aceitam as ordens do duque, ora se arriscam para a existência de um futuro sem restrições ou desigualdades sociais.

Ainda por cima, o duque não desistiu de procurar a última dos Capulets e isto ocasiona numa perseguição sem precedentes, onde jovens inocentes acabam sendo pegas e nestas investidas, conhecemos um jovem herói medieval. Ele é o Vendaval Vermelho, que luta contra estas injustiças, bastante conhecido entre os pobres e numa destas, acaba encurralado e seria o fim de sua carreira se não fosse salvo por um jovem rapaz montado em um pégasos. Sem querer, o nosso herói sente algo a mais do rapaz, porém, deixa de lado, pois era um nobre e o que teria a dizer a respeito de um cara destes?


Aí que descobrimos sobre o Vendaval Vermelho: na verdade é a própria Juliet, que se disfarça de menino, é chamada de Odin e mora em um teatro que pertence a um dramaturgo bastante parecido com Shakespeare. Durante anos, ela esteve escondida e nesse mesmo dia ocorre um baile no castelo dos Montagne, onde acaba indo como ela mesma e se depara com o nobre que a salvara. E sem querer, num primeiro olhar os dois se apaixonam...

Amor à primeira vista: que romântico! Claro que depois descobrem que suas famílias são inimigas, e agora? Será que o amor de Romeo e Juliet pode livrá-los desta ameaça para aproveitarem os momentos de paixão?

Vamos ao ponto mais relevante: livro x adaptação, parecidos ou há diferenças? Primeiro, em termos da história em si, são idênticas, pois temos uma história de amor trágico; segundo, os personagens que existem no livro aparecem no anime e alguns ganham mais personalidade e participação; terceiro, no anime revela a razão das duas principais famílias de Neo Verona serem inimigas, enquanto que, no livro, em nenhum momento explicam esta rivalidade. A maior diferença está nos dois personagens que dão nome a série, pois ambos são bem diferentes da versão literária, exceto pelo amor que um tem pelo outro.

Romeo é um jovem rapaz criado pelo pai, atual Duque de Montagne: não aceita a forma com que ele governa Neo Verona e, por ter vivido na nobreza, pouco conhece sobre a situação do lugar. É um rapaz bondoso, que está preocupado por nenhum dos nobres ajudarem a mudar a situação, devido ao poder de seu pai. Seu sonho é governar Neo Verona com dignidade e justiça, e aprende com Juliet e com a vida o que é preciso fazer. Tem como melhor amigo Benvolio, filho do prefeito de Neo Verona, e Cielo, um pégasos que ganhou da mãe, que o acompanha em seus passeios. Ao descobrir a verdade sobre Juliet, passa a ser um importante aliado contra a soberania do próprio pai.

Juliet é uma moça que teve de se esconder para não ser morta, após ter perdido sua família: ao ver as injustiças ocasionadas pelo duque, passa a atuar como Vendaval Vermelho. E foi neste disfarce que conheceu Romeo e o amor, sendo dividida entre o dever de vingar-se dos Montagne – pelo o que fizeram com sua família - e o amor por ele. Quando descobre que Romeo é filho dos Montagne, decide no começo afastar-se dele, mas o sentimento de paixão acaba falando mais forte. Sua personalidade nos revela alguém que quer ajudar os mais fracos e faria qualquer sacrifício pela felicidade de todos e de si mesma. Tem como melhores amigos a Cordelia, que conhece desde pequena, e Antonio, um garoto que ajuda Juliet nas suas ações como Vendaval Vermelho.

A animação feita pela Gonzo possui um traço demasiado simples e ao mesmo tempo humano; a ambientação lembra de séries de estilo fantasia medieval, com um toque mais moderno, sem descaracterizar a época imposta. Não foi a primeira adaptação de livro do estúdio, pois anos antes produziram “Gankutsuou - O Conde de Monte Cristo” baseado no livro de Alexandre Dumas, pai; só que no caso de “Romeo X Juliet”, seguiram mais a história original que a outra série.

Na trilha sonora, temos como tema de abertura “Inori~You Raise me Up” cantada pela Lena Park, possuindo duas versões: a japonesa que é usada na abertura e a em inglês cantada em alguns episódios. A música expressa o romantismo e o amor de uma paixão; a versão japonesa é sem dúvidas a melhor, e seu ritmo um dos mais lindos em questão de aberturas de animes. Os dois temas de encerramento são “Cyclone” pela banda 12012, de toque bem rock e acelerado, que revela a rivalidade das duas famílias, e “Sayonara Yesterday” cantada pela Mizrock, com ritmo mais suave e calmo.


Para quem curte adaptações literárias e românticas, a série é uma opção interessante; aos que preferem uma animação de fantasia medieval, pode até dever em alguns aspectos, por não apresentar muita ação; no entanto, é bom pra assistir uma série mais dramática. Qual seja sua preferência, “Romeo X Juliet” mostra um pouco da força das animações japonesas de adaptar clássicos universais e dar seu toque pessoal.




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