29 de janeiro de 2015

X-10: Dez animes curtos de 2014

Depois de outro período de hibernação a seção X-Dez retorna com promessas de ser mais ativa em 2015 mas, ah, eu não confiaria muito nisso não, viu...


Repetindo o que foi feito em 2012 e 2013, trago aqui os que foram para mim os dez melhores animes curtos do último ano, aqueles que o pessoal geralmente não dá muita importância. E, antes que alguém diga, sim: a safra de animações curtinhas de 2014 foi fraquíssima em comparação com outros anos, como poderão ver pelos meus comentários onde coloco tantas ressalvas e senãos para justificar minhas escolhas.

De maridos otakus a mangakás pervertidos, lésbicas de comportamento animalesco (!) e versões femininas daqueles que para muitos foram seus primeiros video-games, 2014 pelo menos foi um ano bastante diversificado para animações curtas em se tratando de temas, bem diferente de um 2013 tão baseado em animes que apelaram sem pudor ao moe. Juntos, os dez títulos dessa lista e seus 136 episódios chegam a somente 12 horas de duração, o equivalente a 36 episódios de tamanho normal; e, apesar de ela não ter o mesmo nível de posts anteriores dessa seção – claro, não levando em conta a de piores animações! -, espero que possam descobrir um ou outro anime que lhes agradem. Vale ressaltar que não considerei continuações, ficando de fora por conta disso "Puchimas!!: Petit Petit iDOLM@STER" (cujo primeiro anime falei a respeito na edição de 2013) e "Wooser no Sono Higurashi: Kakusei-hen" (também já mencionado, na lista de 2012), ambas séries que me agradaram mais do que boa parte das animações abaixo.

Por fim, os pedirei para que participem de algo que eu adoro e que sempre que possível faço aqui no Animecote: Enquete! Nesse caso, no final do post vocês poderão escolher qual será o próximo tema da seção X-Dez, entre quatro que tenho interesse em fazer. Além da vontade em atender o pedido daqueles que visitam o blog, espero com tal medida me comprometer mais com essa seção, para que suas postagens não continuem tão irregulares...

A enquete ficará aberta até o final de fevereiro, e o resultado será divulgado na próxima edição do X-Dez, que já virá tratando do tema mais votado.




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Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken









De onde saiu: Mangá, 4 volumes, em andamento.

A história: É narrado o dia a dia de uma dedicada funcionária de escritório chamada Kaoru ao lado de seu marido Hajime, um jovem otaku.

Duração: 13 episódios de 3 minutos cada = 39 minutos.


Baseado em tirinhas 4-koma publicadas na internet desde 2011 e que possuem um acabamento bastante simples, quase parecendo uma sequência de esboços, "Danna ga Nani..." mostrará como ser casado com um otaku hardcore não é assim o fim do mundo... E nem também um mar de rosas, já que você não pode se vangloriar com as vizinhas sobre o trabalho do marido uma vez que, bem, ele sequer tem um de verdade. Em meio a incertezas em relação ao futuro, tentativas frustradas de parar de fumar e problemas com bebida e inaptidão na cozinha, Kaoru se esforçará para compreender, muitas vezes em vão, o hobby de seu marido, sendo que veremos aqui um exemplo de como o título de um anime pode definir tão bem seu conteúdo, pois a tradução literal aqui seria algo do tipo "Eu não consigo entender o que meu marido está dizendo" - e nem nós também entenderemos, em muitos casos!

Hajime se mostra a síntese de vários estereótipos usados para retratar um membro desse nicho: é antissocial, meio arisco, preguiçoso, acomodado e perdido em seus devaneios pelo maravilhoso mundo 2D, 
chegando ao cúmulo de "trair" sua esposa com "waifus" lolis e doujins que deixa espalhados pelo chão após usá-los - sim, usá-los, não lê-los. Uma trabalhadora árdua, um vagabundo, uma garota com muitas amizades, um homem cujos poucos amigos se encontram do outro lado da tela do computador, uma mulher que adora sair para beber e passear, um rapaz que prefere ficar em casa vendo animes e postando em fóruns e blogs; são duas pessoas de mundos diferentes, personalidades distintas, vocabulários adversos... Mas, ainda assim, se amam de alguma forma, buscando pontos positivos até mesmo nas limitações do parceiro. E o mais agradável em "Danna ga Nani...", além das várias referências e piadinhas a outros animes ora de forma clara (temos um grande fã de "Evangelion" aqui!), ora de modo tão velado e indireto que só sendo um Hajime para poder fisga-las, é justamente como em vários momentos vemos o amor entre esses dois ser retratado de maneira tão suave ou bem humorada, onde percebe-se o grande respeito e a dependência que um tem pelo outro, seja nas horas em que se apoia um novo projeto do companheiro ou se percebe o quão este é indispensável em sua vida apesar de suas falhas - discussões e frases impulsivas ocorrem, são inevitáveis (puxa, Kaoru, para que lembrar que ele não tem amigos fora da internet?!), porém um abraço caloroso e um pedido de desculpas no final resolvem a maioria dos problemas.

É, em resumo, uma comédia de situação levemente romântica, às vezes com piadas exageradas e estranhas devido, principalmente, ao nível extremo de otakice do nosso protagonista (há muitas gírias e citações a memes populares no Japão, por exemplo, e algumas esquetes em torno do lado lolicon de Hajime ou de seu irmão "trap" podem causar certo incômodo), mas que geralmente mostrará o andar da vidinha de um casal que parece meio excêntrico, contudo no fim é igual a qualquer outro, com momentos felizes, tristes, preocupantes ou apenas enfrentando a monótona rotina do dia a dia sozinhos ou em companhia de familiares e amigos. E aproveitemos, pois animes com adultos como protagonistas - e que fazem sexo e admitem isso com naturalidade... - é algo raríssimo nos dias de hoje!


Continuação: Uma segunda temporada está prevista para estrear em abril desse ano.




Hi☆sCoool! SeHa Girls









De onde saiu: Animação original.

A história: Recém matriculadas na SeHaGaga Academy, localizada em Tóquio, as garotas Dreamcast, Sega Saturn e Mega Drive descobrem que só poderão se graduar caso realizem as tarefas passadas por um estranho professor que nunca mostra seu rosto, e para isso precisarão entrar e interagir com diversos jogos do mundo da Sega.

Duração: 13 episódios de 11 minutos cada = 2 horas e 23 minutos.

Se até latas de suco já se tornaram garotas moe, ver consoles ganhando visual e trejeitos bonitinhos não chega a ser tão incomum, mesmo porque nem seria a primeira vez que fazem isso - temos o fraquinho "Choujigen Game Neptune: The Animation" como exemplo recente, que é baseado em um jogo para Playstation 3. Já "Hi☆sCoool! SeHa Girls" é uma animação original, porém suas três personagens principais, juntas a outras 14 garotas que antropomorfizam consoles da Sega e que no anime só são mencionadas brevemente em um episódio, saíram da mente de Kei Garou, mangaká mais conhecido por ter criado a famosa Hatsune Miku - essas 17 meninas ao todo não possuem títulos individuais (pelo menos por enquanto), mas algumas delas fizeram aparições em um jogo para PS Vita e outras mídias.

Pois bem, conheçam aqui mais a fundo a barulhenta Dreamcast, a orgulhosa e refinada Sega Saturn e a estabanada, todavia conhecedora de todos os assuntos, Mega Drive - qualquer semelhança com os atributos e conteúdo de seus respectivos consoles não é mera coincidência! Tendo que completar diversas missões na dita escola (cuja localização em Tóquio é a mesma da sede da Sega, aliás) para juntar 100 moedas e assim se formarem, veremos essas três serem inseridas no mundo de diversos títulos de seus consoles e outras plataformas da família Sega, e o mais curioso nisso é como o inevitável toque nostálgico por revisitar jogos clássicos divide espaço com frequentes sátiras e ironias - ainda que suaves - sobre as limitações e defeitos desses mesmos jogos e dos próprios aparelhos. Estudando num lugar cujo hino é apenas a melodia "Seeega" que era ouvida na abertura dos jogos do Sonic, as meninas Dreamcast, Sega Saturn e Mega Drive usarão seus pés, punhos e até a cabeça para superar vários lutadores e bugs no feioso "Virtua Fighter", jogo de 1993 para Saturn que foi o primeiro de luta em 3D; precisarão mostrar boa sincronia e coordenação motora para derrotar os alienígenas dançantes do título para Dreamcast de 1999 "Space Channel 5" (e pobre da Mega Drive nesse caso, pois a sua baixa velocidade no processamento de dados em comparação com as amigas a impede de seguir o ritmo delas); e, claro, elas esbarrarão inclusive no famoso porco espinho azul, que as ajudará a derrotar o vilão Robotnik após este hackear "Border Break", jogo online lançado em 2009 - para verem como não são lembrados aqui somente produções cheirando a mofo, se bem que esse já está bem datado...

Ainda as veremos realizar acrobacias com patins e grafitar muros em "Jet Set Radio" - e de novo Mega Drive vai sofrer para acompanha-las... -; enfrentarem esqueletos e dragões em "Chain Chronicle", um RPG para smartphones de 2013 que só agora em dezembro lançaram uma versão em inglês; e, por fim, nessa bagunça de jogos sendo mencionados e relembrados a todo momento, sobra espaço para um bom número de piadas internas e referências a nomes conhecidos nessa indústria, além de haver uma caracterização razoável em cima das protagonistas, para não deixar a graça de seu anime algo 100% dependente do humor sobre as obras de terceiros, erro comum em paródias desse tipo. Entre uma Dreamcast alegrinha e uma delicada Mega Drive analítica que se atrapalha e se se envergonha com quase tudo, o destaque mesmo vai para a vaidosa Sega Saturn, alvo de constantes atos de bullying do professor enigmático e até de suas companheiras, como por exemplo ser sempre ligada ao velhinho
 Gilius do ótimo "Golden Axe" após confessar que prefere homens mais velhos (mas nem tão velhos assim, né!)...

Deixando a empolgação e a sequência de spoils de lado, o fato é que "SeHa Girls" veio com uma premissa questionável amparada por uma animação toda em horroroso CG, mas, apesar disso, conseguiu se salvar. Às vezes você vai se pegar prestando maior atenção nas falhas gritantes e na pobreza da animação do que na cena em si, e não dá para negar que há um considerável número de piadas em "estado bruto", ou ruins mesmo, tais como a forçação de barra em certas referências ou conversas incoerentes e insossas; enfim, é um anime que poderia ser bem melhor caso tivesse um orçamento menos enxuto e fosse mais bem trabalhado. Não o foi, teve uma produção medíocre, mas graças à riquíssima fonte de onde bebeu e um mínimo de individualidade nas personagens o saldo final ficou ligeiramente positivo e simpático.  


O anime não o mencionou, mas eu farei isso aqui: As garotas brincam com isso no último episódio, de jamais ter aparecido alguém chamado Segata Sanchirou; movido pela curiosidade, fui pesquisar a seu respeito, e descubro que se tratava de um mascote do Sega Saturn. Entretanto, não era um animal fofinho ou algo semelhante, mas sim um judoca que tinha como lema "Você deve jogar Sega Saturn!" (trocadilho com seu próprio nome), e em seus mais de 20 comerciais exibidos no Japão ele fazia de tudo para propagar o console, nem que fosse preciso bater em adolescentes, assustar crianças durante o natal ou ajudar o Japão a vencer o Brasil durante a Copa do Mundo de 1998! No meio de tantas descobertas que esse anime me proporcionou essa foi de longe a mais inusitada, e por isso decidi cita-la em separado do resto do texto. Clique aqui para ver no Youtube todos os comerciais desse mascote truculento legendados em inglês - ao menos uns cinco teriam a exibição proibida atualmente... 





Inugami-san to Nekoyama-san









De onde saiu: Mangá, 3 volumes, em andamento.

A história: As protagonistas são Nekoyama Suzu ("neko" significa gato), uma garota tímida e tsundere que adora cachorros; e Inugami Yachiyo ("inu" significa cachorro), uma jovem masoquista, tonta e amigável que ama gatos. Após se conhecerem as duas passam a sentir atração uma pela outra, contudo as aproximações nada sutis de Inugami são geralmente rechaçadas pelo jeito acanhado de Nekoyama.

Duração: 12 episódios de 3 minutos cada = 36 minutos.

Um amontoado de piadinhas pervertidas e bobas: isso define bem "Inugami-san to Nekoyama-san", anime onde uma das protagonistas tem "gato" no nome, se comporta como um, porém gosta de cachorros, enquanto que a outra tem "cachorro" no nome, se porta como tal, entretanto adora gatos - e logicamente quando se conhecem (com Inugami pulando alegre em cima dela como um cachorro e Nekoyama a arranhando igual um gato) o amor entre elas é instantâneo e instintivo. E pra deixar o cenário mais bizarro nos são apresentadas de coadjuvantes, pouco a pouco, Mikine Nezu (nezumi = rato), garota aficionada por queijo e que possui hábitos noturnos; Sora Sarutobi (saru = macaco), representante de classe que é grande consumidora de bananas; Hibari Torikai (tori = pássaro), menina de voz suave e saúde frágil; e Yukiji Ushikawa (ushi = vaca), da qual nem preciso dizer qual parte de seu corpo se destaca mais, creio eu...

E também não será surpresa ver que todas formam pseudo-casais, porém o foco mesmo é na preguiçosa e manhosa Nekoyama, que detesta água e fica inquieta ao ouvir instrumentos de cordas, e na sonsa e hiperativa Inugami, garota que confessa preferir obedecer a ser obedecida (tradução: masoquista), sente o odor da amada em um raio de até cem metros - em vez de uma habilidade, isso pode ser visto como algo doentio - e "dá a pata", ou as mãos para ser exato, de maneira inconsciente - já esse detalhe sequer consigo achar algum comentário. Poderia ir me alongando e continuar com essa brincadeira, mas enfim, veremos joguinhos amorosos entre duas garotas que, caso a falta de percepção da tsundere Nekoyama não atrapalhe e não haja ainda a interrupção de terceiros, alcançará ocasionalmente momentos picantes como ver uma delas (Inugami, claro!) passando a língua nas bochechas da amiga para limpa-la ou outra (Nekoyama, mas ela estava bêbada!) obrigando que a parceira lamba seus pés. Diálogos sugestivos, pensamentos impuros, desejos imorais... Em alguns pequenos trechos a interação entre elas será mais inclinada para um lado meigo e afável, contudo a perversão dominará a maior parte dos curtos 12 episódios.

É uma comédia beirando o nonsense com personagens tão bestas que às vezes é vergonhoso vê-los em ação, e o humor chega a ser pífio durante quase todo o anime; então, oras, por que o estou recomendando aqui? Como disse no início do post, a safra de animações curtas foi fraca, fraquíssima em 2014, e a tal ponto que garotas lésbicas se comportando como animais conseguiram se fixar entre as dez melhores - e para se ter ideia da situação, ficaram de fora desde mechas dos anos 70 antropomorfizados em meninas moe a grupos de "traps" com pantyshots de calcinhas avolumadas, logo não reclamem...




Kantoku Fuyuki Todoki









De onde saiu: Mangá, 1 volume, finalizado.

A história: É mostrado o dia a dia de uma mulher chamada Rompers com seu futuro marido Kantoku ("diretor" em japonês), um otaku quarentão.

Duração: 13 episódios de 3 minutos cada = 39 minutos.

Essa "mulher-bebê" que vocês veem nas imagens e que se chama Rompers seria na verdade o avatar da mangaká Moyoko Anno, esposa do diretor Hideaki Anno, animador famoso por ser o criador de "Neon Genesis Evangelion". Conhecida por obras como "Sugar Sugar Rune" e "Hataraki Man" - que inclusive já tiveram suas versões animadas para a TV -, Kantoku Fuyuki Todoki' foi seu primeiro mangá experimental; formado por apenas um volume que teve seus capítulos publicados numa revista entre 2002 e 2004, ele possui uma bem humorada e exagerada narração autobiográfica da vida de Moyoko ao lado do esposo, dando maior destaque ao "estilo de vida otaku" que os dois supostamente levariam juntos - ou pra ser exato, mostra como ela foi lentamente sendo puxada mais a fundo por Hideaki para esse mundo excêntrico.

Diferente de "Danna ga Nani...", "Kantoku Fuyuki Todoki" se fixa integralmente em uma comédia tolinha e toda feliz, sem dar espaço para qualquer drama ou situações mais românticas. Sempre preocupada quanto a se conseguirá tornar-se a esposa de um otaku de 44 anos (idade de Hideaki na época de criação do mangá e do casamento dos dois), Rompers não só tem de aturar a obsessão do marido por animes, mangás e tokusatsus de décadas atrás como também é fadada a vigiar seu comportamento imaturo, já que estamos falando de um homem acima do peso cujas dietas são ineficazes devido a sua falta de autocontrole, nunca toma banho e junta todo e qualquer treco de suas obras favoritas, como cintos do "Kamen Rider" (que não lhe servem devido a cintura avantajada...), brindes baratos de salgadinhos e figures e mais figures. Ela surta, resiste, tenta muda-lo aqui ou ali, mas com o tempo vai percebendo que o melhor mesmo é não se opor, mas sim se conformar e se unir a ele em seu hobby, tanto cantando juntos músicas de animes como "Gatchaman" dentro do carro - e dane-se o que as pessoas de fora pensarão! - quanto acordando aos domingos de manhã para assistir "Ninpuu Sentai Hurrincanger" - ela sente que está deixando algo para trás nesse processo (dica: sua vida social) mas, bem, é melhor não pensar tanto nisso...

Como devem ter percebido, as referências e diálogos otakus de "Kantoku" são predominantemente de obras que vários de nós no máximo ouvimos falar, produzidas nas décadas de 60 e 70 - e mesmo quando citam algo recente temos em sua maioria tokusatsus, aos quais muitos aqui nem devem assistir atualmente. Logo, piadas e discussões sobre "Spectreman", "Ultraman", "Gaoranger" e a própria paixão de Hidekai que é "Kamen Rider", os animes "Ougon Bat" e "Tetsujin 28-gou" ou os mangás de George Akiyama e Daijirou Morohoshi, e isso só para citar alguns, não deverão ser lá tão interessantes para quem talvez sequer acompanhou a época de ouro da TV Manchete. Se muito, pegaremos as várias (o que não é novidade) menções a "Evangelion", influentes até na formatação dos títulos de cada episódio, mas fora isso boiaremos nas horas em que os dois estiverem cantando desafinados a música de abertura de algo dos anos 70 ou mencionarem este ou aquele ator ou artista da mesma época - os créditos finais chegam a mostrar longos textos explicativos sobre as referências de cada episódio, mas, não que algum fansub tenha se dado ao trabalho hercúleo de traduzi-los. Pessoalmente, me apeguei ao anime mesmo por conta de ter me simpatizado tanto com seu clima alto astral e inocente, inofensivo, onde o único assunto tratado foram as desventuras de um casal otaku bobalhão. Poderia não estar entendendo e nem achando graça em tudo que conversavam, mas isso não me impediu de ser um pouco contagiado pelo extremo bom humor deles.


Mais do que um kantoku: Além de diretor e atuante em diversas áreas na produção de animações, Hideaki Anno já foi ator e também dublador. No primeiro caso, um dos destaques foi seu papel como Ultraman em "Return of Ultraman" de 1983, aos 23 anos; no segundo, ele teve a sua muito criticada estreia em 2013 no filme do estúdio Ghibli "Kaze no Taichinu".

Evangelion everywhereNão é só nas referências e nos recadinhos de vários artistas ao final de cada episódio que a obra máxima de Hideaki Anno marca presença: os dubladores de Kantoku e Rompers fizeram parte do elenco de "Evangelion", nos papéis de, respectivamente, Ryouji Kaji (dublado por Kouichi Yamadera) e Ayanami Rei (vivida por Megumi Hayashibara).



 
Mangaka-san to Assistant-san to The Animation









De onde saiu: Mangá, 10 volumes, finalizado - porém houve uma continuação logo em seguida que durou apenas 1 volume.

A história: É apresentada a agitada rotina de trabalho do pervertido mangaká Aito Yuuki com suas belas assistentes, que vão desde a reservada Ashisu Sahoto, a atirada Rinna Fuwa e a tsundere Kuroi Sena.

Duração: 12 episódios de 13 minutos cada = 2 horas e 36 minutos.

Após um marido otaku e outro otaku e animador profissional, chegamos agora a um mangaká - precisamente uma pessoa cujo mangá se baseia em calcinhas para manter a baixa popularidade que possui, e que acaba sempre flertando com as últimas posições nos rankings da revista que o publica. Além disso, como é de se esperar de um solteiro, pervertido e virgem que se enrola todo na hora de falar com alguém do sexo oposto, Aito Yuuki possui belas assistentes para apoia-lo em seu trabalho, a destacar Ashisu Sahoto, garota focada e reservada que é capaz de cometer certos absurdos para auxiliar na inspiração de seu chefe, como por exemplo apalpar seu próprio seio na frente dele para que o coitado saiba da sensação que se tem ao toca-los - há, lógico, motivos puramente profissionais nesse pedido, porque como então se criaria, de forma verossímil, a clássica cena na qual o rapaz esbarra e toca sem querer nos peitos da menina que gosta, hein?

Julgo que já apalp... pegaram o "feeling" da animação, que apresentará ainda outras garotas como uma editora-chefe loira e complexada com seus peitos pequenos, uma tsundere baixinha, criançona e sádica devidamente dublada pela imortal Kugimiya Rie e uma assistente novata bobinha e lerdinha que mal sabe editar um mangá, porém, como é bonita e admira Yuuki cegamente, foi contratada sem objeções - e vai, ela até chega a ser útil, pois que melhor forma de animar um mangaká exausto do que se vestir de coelhinha e esfregar os seios nas costas dele para fazê-lo terminar o manuscrito? E é tocante a fidelidade e paciência delas frente a esse rapaz, porque não importa quantas vezes ele é flagrado com roupas íntimas alheias em suas mãos, tente ataca-las de quando em quando impulsivamente e faça pedidos e diga frases grotescamente obscenas e irracionais, todas estão sempre ali, levando adiante um mangá de calcinhas dentro de um apartamento minúsculo, e inclusive se apaixonado um pouco por essa pessoa no caso de ao menos duas delas! - ah, que filho da mãe! Enquanto isso Yuuki, além de obviamente não perceber nada, se preocupa mais com questões de importância bem maior, como comprar roupas íntimas em shoppings para usa-las de referência criativa - antes fosse só isso mesmo... -, se vestir de mulher para tentar pensar igual a elas e assim dar maior profundidade ao seu mangá, ou então refletir incansavelmente se deve continuar desenhando "panchiras" (que seria mostrar calcinhas de maneira discreta, parcial, incitando a imaginação do leitor) ou arriscar mudando para "panmoro" (exibi-las abertamente, de modo honesto e com poses ousadas). Não parece, mas isso faz muita diferença!

Enfim, esse é o protagonista do anime, um personagem de mente fraca cujo comportamento depravado - puxa, ele guarda revistas pornôs com atrizes que se assemelham a suas ajudantes! - e ingênuo será em muitos momentos irritante e patético, para não dizer insuportável mesmo, ao passo que em outros poderá causar alguns risos e simpatia (ou seria pena?). Não dando praticamente a mínima quanto a retratação do trabalho de um mangaká em si ou ao mundo otaku no geral apesar do tema proposto, "Mangaka-san" fica nisso de mostrar em 3 ou 4 pequenas esquetes por episódio a interação de Yuuki com seu harém, mesclando um conteúdo ecchi significativo nos diálogos e no visual. Mesmo que ainda hajam algumas cenas isoladas que tentam mostrar um líder mais delicado e atencioso que se preocupa com as meninas à sua volta, convenhamos que "Mangaka-san to Assistant-san to" não deixa de ser uma obra bastante machista e idiota, da qual tanto o anime, quanto o mangá, me foram incômodos demais no início, contudo com o passar do tempo até acabou me entretendo um pouco que fosse, em especial nas horas em que o humor não era tão besta e sexista - no geral eu diria que ele é mediano, "assistível", porém sua abordagem termina por restringir de forma considerável seu público em potencial. 

Afinal, não são muitos os que pensam que calcinhas são tudo na vida (eu espero)...


Dubladores originais: Algo que me desapontou no anime, e que poderia tê-lo deixado melhor se não tivessem feito isso, é o fato de terem trocado quase todo o elenco de dubladores de um Drama CD do mangá, onde tínhamos o ótimo Fukuyama Jun dublando Yuuki e a adorável Mamiko Noto no papel da doce Ashisu, juntos com outros nomes de peso como Haruka Tomatsu e Aki Toyosaki - somente Kugimiya Rie não foi retirada. Sinceramente, Fukuyama Jun já incrementaria boa parte da animação, pois ele com seu tom cômico e acostumado a personagens desse tipo deixaria o protagonista muito mais atraente e suportável do que Yoshitsugu Matsuoka (Kirito de "Sword Art Online").

Esse é melhor: No post do X-Dez "Dez animes no mundo otaku" eu citei "Doujin Work", anime de episódios curtos baseado em um mangá de Hiroyuki, mesmo autor de "Mangaká-san". Nesse o foco é no incrível mundo dos doujinshis, no qual uma garota que sequer sabe desenhar, chamada Najimi, entra nesse ramo para ganhar dinheiro. Com um toque e piadas muito menos machistas e acéfalas, ele é um anime que recomendo bem mais do que esse que acabaram de ler a respeito.




Minna Atsumare! Falcom Gakuen









De onde saiu: Mangá, 2 volumes, em andamento.

A história: O mundo é invadido por dezenas de personagens da desenvolvedora de jogos Nihon Falcom, que passam a frequentar uma escola criada para eles.

Duração: 13 episódios de 2 minutos cada = 26 minutos.

O anime mais rápido de se ver da lista terá também um texto enxuto não unicamente por haver pouco a falar dele, mas sim por eu não conhecer pessoalmente nada de sua rica fonte; "Minna Atsumare! Falcom Gakuen" é adaptação de um mangá 4-koma que foi criado para comemorar os 30 anos de existência da Nihon Falcom, empresa japonesa desenvolvedora de jogos grande influenciadora no gênero RPG, tendo em seu catálogo franquias de sucesso como "Dragon Slayer", "The Legend of Heroes" e "Ys" - esses três, aliás, já foram transformados em OVAs. Igual ao anime das garotinhas da Sega, veremos uma profusão de referências e humor em cima dos jogos da Falcom uma vez que praticamente todos os personagens dos mesmos são reunidos cometendo loucuras em um ambiente escolar fundado por uma aparente toupeira esquisita chamada Rappy, entretanto não haverá aqui tanta preocupação em ser didático para quem não for familiarizado com eles.

Uma narração em off no final de cada episódio até brinca dizendo que as personalidades dos personagens diferem bastante das versões reais, e que assim você deveria ver o anime como algo a parte, independente; contudo, isso não impede de haver várias piadas internas sem sentido para quem não possui conhecimento prévio, seja a respeito de 
como derrotar um inimigo demônio (que nesse cenário virou professor dos mocinhos, óbvio!) ou detalhes em volta da composição e de acontecimentos dos mundos originais dos jogos. Mas em outras horas, aí sim, "Minna Atsumare!" mostra uma comédia mais ampla, especificamente quando satiriza elementos clássicos do gênero - para se ter ideia o herói aventureiro, salvador e não tão esperto (eufemismo) de "Ys", Adol Christin, no início bate o pé em querer começar sua jornada apenas após alguma garota bonita lhe acordar, e ele achou um absurdo ter sido preso "somente" por ter aberto uma gaveta alheia para pegar dinheiro, já que isso é normal para aventureiros! No geral, posso lhes estimar que uns 70% de todo o conteúdo do anime é exclusivamente voltado para os fãs dos jogos, ao passo que o restante pode ser compreendido e desfrutado pelos "newfags" que nem eu - no máximo tenho quatro títulos da Falcom na minha conta no Steam, porém não joguei nenhum até hoje...

E foram esses divertidinhos 30% que me convenceram e fizeram adicionar o anime de última hora na lista - pois é, em alguns posts da seção X-Dez foi-me difícil ficar só em dez, enquanto que aqui o desafio foi chegar nesse número por falta de opções. "Minna Atsumare!" é uma grande zorra, uma comediazinha fantasiosa que ostenta um ritmo frenético graças aos curtíssimos episódios de 1 minuto e meio cada, visto que 30 segundos são reservados à música de abertura; é verdade que sofre do mesmo acabamento bruto que “Seha Girls“, mas, oras, em poucos 20 minutos isso nem fará alguma diferença.



Continuação: Uma segunda temporada teve início agora em janeiro.





Orenchi no Furo Jijou









De onde saiu: Mangá, 5 volumes, em andamento.

A história: É narrada a convivência do estudante Tatsumi com Wakasa, um sereio. Encontrado debilitado à beira de um rio, ele agora passará a morar na banheira da casa de Tatsumi, que tem de aturar diariamente seus caprichos e egocentrismo.
  
Duração: 13 episódios de 4 minutos cada = 52 minutos.

Outro anime originado de tirinhas, mas dessa vez de um mangá shoujo - o que já explica para quem é voltado os diversos momentos de fanservice dessa história. Não se trata, de modo algum, de um yaoi ou shounen-ai, contudo o que não faltará aqui serão rapazes bonitos, sejam humanos ou não, juntos de vez em quando numa banheira apertada - mas isso é para economizar água, obviamente, porque não pensem que é barato manter um sereio em casa.

Ele prefere água quente, usa shampoo e condicionador em grande quantidade e gosta de ter revistas e mangás por perto para se distrair; no cenário imutável do anime que é a banheira de Tatsumi veremos um bishounen de longos cabelos loiros e esbelto agindo de forma imatura quase que o tempo inteiro, pois Wakasa não passa de alguém brincalhão, inocente e de comportamento meio afetado que se torna dependente daquele que o salvou e que sempre tem um pedido supérfluo para lhe fazer - seja ganhar uma televisão portátil, tomar um banho de espuma ou simplesmente ter algo mais extravagante para a janta. Tatsumi é um estudante, realiza trabalhos de meio período, mas, e daí? Totalmente conformado com a situação e altruísta que é, esse jovem chega a fazer horas extras no serviço para poder pagar as cada vez maiores contas de água e luz, e nem quando recebe um aumento não deixa de perguntar ao seu hóspede se ele não quer alguma coisa a mais! Seria um excelente namorado ou marido, mas ao invés disso está gastando sua juventude ao lado de um sereio...

E depois junto a um homem-polvo de forte sotaque, um homem água-viva moe e educado e até um caranguejo eremita complexado - nesse elenco masculino bizarro nem sobra espaço para a irmã mais nova de Tatsumi, uma garotinha que (oh, surpresa!) é toda grudenta com ele. Apesar dessa temática, "Orenchi no Furo Jijou" nem tem lá uma comédia tão nonsense como aparenta, e no fim o que poderá mais incomodar alguns mesmo serão as ocasionais cenas e diálogos de duplo sentido - culpa às vezes da ingenuidade de Wakasa, ou então devido a polvos que lhe dão massagens por todo o seu corpo, por exemplo - que, todavia, sempre terminam em bom humor. Fora o fanservice direcionado ao público alvo feminino, o anime se resume a bate-papos e piadinhas entre rapazes ao redor de uma banheira, onde certo humano tem de se preocupar inclusive com os vegetais esquecidos no prato que certo sereio mimado não gosta de comer. É esquisitinho, sim, mas vale tentar superar o pré-conceito (no caso dos homens) e o receio para experimentar esse "slice-of-life" inusitado.




Pupipo









De onde saiu: Mangá, 3 volumes, finalizado.

A história: Himeji Wakaba é uma garota da quinta série que possui a habilidade de ver espíritos, alguns deles maldosos que tendem a prejudicar tanto ela, quanto aqueles com quem tem intimidade. Como resultado, essa garotinha é mal vista pelos colegas de classe e sequer tem amigos, isso até uma novata obcecada em ocultismo se transferir para sua escola e começar uma amizade a força com ela.

Além disso, em certa tarde, Wakaba encontra na rua um monstro redondo e rosa ao qual dá o nome de Pupipo; sabendo até falar o básico de japonês, essa criatura de certa maneira protege Wakaba de outros espíritos. Em sua companhia ela superará alguns de seus problemas de relacionamento, porém se envolverá em uma série de eventos imprevisíveis e sobrenaturais. 
  
Duração: 15 episódios de 4 minutos cada = 1 hora.

De traços toscos e sem fluidez, os mangás de Rensuke Oshiriki não serão de longe os mais bem desenhados que vocês verão por aí; contudo, ele consegue compensar isso com muito humor negro e roteiros criativos. Seu gênero favorito é o horror mesclado a comédia, e em quase todas as histórias são vistas crianças como protagonistas, desde um garoto buscando vingança pela morte de sua irmã em "Yuuyami Tokkoutai" a uma garota solitária sofrendo bullying em "Misu Misou" - praticamente o mesmo tema de "Pupipo", só que o primeiro título de Rensuke a virar anime possui uma abordagem bem mais leve.

O que não parece, todavia, ter sido o suficiente para os responsáveis que o adaptaram, pois a animação de "Pupipo" reescreveu vários trechos do mangá e retirou boa parte do humor negro (o extinguiu, praticamente) e alguns dos conteúdos mais polêmicos. O abrandou, o simplificou, o enfraqueceu; eu em certos instantes fiquei em dúvida em indica-lo nessa lista porque, comparando-o com a obra original, ele é muito ruim. Mas, há de convir, o que interessa é o anime em si, que sozinho, para quem não tem noção sobre quais mudanças foram feitas, poderá ser agradável e um pouco sentimental.

Único anime desse post a ostentar um enredo de fato e alguma linearidade (sim, nem estou considerando a premissa fajuta de "Seha Girls"), "Pupipo" mostrará, com um resquício do excêntrico humor do mangá, a lindinha Wakaba passando por certos transtornos devido a essa sempre incômoda capacidade de enxergar seres sobrenaturais com os quais nem deveríamos interagir, tema bastante rotineiro em animações japonesas. E outro ponto também comum é haver um protagonista não muito comunicativo e sociável devido justamente a isso, mas felizmente Wakaba conhece uma "coisa" bizarra, rosa e terrivelmente macia que é Pupipo, monstrinho de grande utilidade, pois pode tanto assustar colegas de classe chatas praticantes de bullying quanto sugar espíritos maldosos que tentam causar mal a sua dona - e ele faz isso inclusive dentro de sonhos e usando duvidosos, mas eficientes, ataques de beijos! Outras novidades em sua vidinha será a barulhenta Azuma, cuja fixação por ocultismo a tornará grande amiga de Wakaba ao mesmo tempo que atrai problemas por suas constantes intromissões; e por fim tem Yuuki, garoto que também enxerga espíritos e ainda não sabe lidar direito com eles. Em suma, nos 15 episódios de quatro minutos cada presenciaremos um desenvolvimento aceitável da protagonista em companhia de seus novos amigos conforme são tratados, de maneira singela e minimamente dramática, temas como rejeição, solidão e aceitação. Ela vai deixando lentamente de ser tão fechada, vai se expressando melhor, enfrenta poucas e boas com espíritos diversos, e no fim passa por uma enorme revelação, ao qual já não cabe falar aqui. Diferente dos demais animes onde pude me estender melhor sobre seus acontecimentos, de "Pupipo" é melhor não dizer muito, a não ser mesmo seus primeiros passos.

Temos de dar um desconto: para um anime curto, "Pupipo" surpreende pelo quanto ele consegue mostrar e impactar em tão pouco tempo, mesmo que a evolução da trama soe um tanto corrida - culpa, em parte, dos citados cortes e modificações realizadas, o que só agravou a situação visto que o mangá sozinho já possui um ritmo apressado. Tem uma protagonista adorável, um elenco infantil divertidinho, um bicho roseado fofo e um desfecho mais intenso do que o de muitos animes de tamanho normal; de forma alguma "Pupipo" é impecável, perfeito, mas ele dá uma amostra de que mesmo nesse formato é possível inserir um enredo minimamente elaborado.


Próxima adaptação e problemas judiciais: Desde o final de 2013 foi anunciado que outro mangá de Rensuke seria animado, precisamente "High Score Girl", que narra a amizade crescente entre um garoto antissocial e uma garota rica e popular através de partidas de video-game - parece ser uma obra baseada na vida do próprio autor, pois em outro mangá de Rensuke, "Pico Pico Shounen", ele conta pequenas histórias a respeito de sua juventude viciada em jogos, e em uma delas fala sobre uma garota com quem criou amizade graças a esse hobby.

Há rumores de que o anime está se arrastando para estrear por conta de impasses quanto a direitos autorais ocorridos com o mangá, após a SNK denuncia-lo por usar a imagem de personagens de seus jogos (tais como "The King of Fighters" e "Samurai Spirits") sem sua permissão, o que ocasionou em um recall dos cinco volumes lançados até então e o cancelamento de vendas digitais. Apesar disso, ele continua em publicação na revista "Monthly Big Gangan", mas sobre o anime mesmo não se tem novas notícias há meses.




Strange+









De onde saiu: Mangá, 14 volumes, em andamento.

A história: A trama tem início quando um adolescente chamado Kou visita a periferia de uma cidade à procura de Takumi, irmão mais velho que fugiu de casa e que agora trabalha na Agência de Detetives Mikuni. Não conseguindo convencê-lo a voltar contigo, Kou decide ficar perto do irmão e também passa a realizar trabalhos na agência, conhcendo dessa forma várias pessoas diferentes e estranhas.
  
Duração: 12 episódios de 3 minutos cada = 36 minutos.

Espero que tenham lido a sinopse... Ou não, visto que ela não tem utilidade alguma nesse caso, já que o primeiro episódio do anime simplesmente nos arremessa direto na companhia de um quarteto de detetives amadores, que tinha como missão proteger uma feiosa estátua dourada de um ricaço que valia 100 milhões de ienes - e eles a protegem, tudo bem que levando abaixo uma mansão no valor de 2 bilhões, porém fizeram o seu trabalho arduamente mesmo sendo espremidos por pedras rolantes e tomando socos de bundas em armadilhas postas por uma ladra que depois não sairá do pé deles, e isso é o que importa.

É, "Strange+" faz jus aos seu curto título; nele presenciaremos nada mais que histórias de comédia e ação aleatórias imbuídas de nonsense em níveis elevados. Ao mesmo tempo em que fazem algumas paródias ocasionais e quebram a quarta parede sem esforço com menções a situação do próprio anime, esse grupo de detetives protegerá a filha de um milionário, fará a escolta de um americano magnata, correrá atrás de um pervertido estiloso e até guardará um medalhão que dá azar a quem o segura. Na verdade, os trabalhos em si nem são lá complicados; o problema mesmo é com a imensa incompetência de um quarteto liderado por uma "trap" nada educada ou feminina dublada por Fukuyama Jun, grande expert em papéis de personagens que se travestem - hum, isso seria algo bom de se colocar no currículo? O misterioso Takumi, aliás, (digo ser misterioso pois ele possui agilidade incomum e é capaz de se multiplicar, dentre outros fatores) será o causador da maior parte do humor de teor questionável, compostas por piadas de cunho sexual e homossexual, palavras de baixo calão e até mesmo flatulência. Esse é o principal defeito de "Strange+" e, simultaneamente, atributo: a completa imprevisibilidade por conta das loucuras cometidas nesse anime por vezes serão cômicas, ao passo que em outras serão apenas retardadas, forçadas e embaraçosas. Em um mesmo episódio eu ora achava graça em uma cena para, segundos depois, sentir vergonha com outra...

Acho que desse aqui não preciso me alongar mais, devem ter compreendido seu estilo, então continuemos com o último anime da lista.



Opa, ainda faltam as notas --> Continuação:
 Houve uma no mesmo ano, intitulada "Shin Strange+". No primeiro episódio ela faz algo que o anime anterior "esqueceu", que é explicar a premissa da história... Está certo que houve um atraso de 12 episódios, mas explicaram, e isso é o que importa (déjà vu?).

Trinca: O estúdio Seven foi responsável por três animações citadas nesse post, duas delas que entraram mais para completar a lista: "Strange+", "Inugami-san to Nekoyama-san" e "Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken". Todas as 11 séries de TV que ele produziu até hoje foram curtas, e para esse ano, além da sequência de "Danna ga Nani...", farão também a adaptação de um mangá bem ecchi chamado "Oku-sama ga Seito Kaichou!", cujo autor é o mesmo da obra que deu origem ao anime sobre roupas íntimas "Chuu Bra!!".

Por fim, outro anime do Seven que já apareceu no X-Dez foi "Recorder to Randoseru", na edição "Dez animes curtos de 2012".

Tudo em família: É rotineiro que as produções desse estúdio fiquem referenciando uma a outra. No caso das mencionadas nessa lista, o episódio 5 de "Inugami-san to Nekoyama-san" mostra Nekoyama cantando a abertura de "Strange+" em um karaokê, enquanto que em "Danna ga Nani..." o casal protagonista vai para o mesmo cinema que os personagens principais desses dois animes.





Tonari no Seki-kun









De onde saiu: Mangá, 6 volumes, em andamento.

A história: Serão acompanhados os constantes transtornos que Yokoi passa com seu vizinho de carteira Seki durante as aulas, pois, ao invés de fazer anotações e estudar, ele usa toda sua concentração e energia criando os mais variados passatempos com diversos objetos - algo que sempre acaba distraindo, também, a própria Yokoi. 

Duração: 21 episódios de 7 minutos cada = 2 horas e 17 minutos.

E o anime a fechar a lista em ponto alto (e isso ocorreu somente por conta da ordem alfabética) foi sem dúvida a animação curta mais comentada e vista em 2014, tendo atraído a curiosidade inclusive daqueles que normalmente deixam passar séries nesse formato. A premissa por si só é um bom chamariz: quem nunca fez, ou viu alguém fazer na sala de aula, brincadeiras e encenações usando qualquer material à disposição para matar o tédio? Uma gangorra composta por canetas e borrachas, montagens com pedaços de papel, lápis, régua, apontador... Enfim, no nosso caso essas distrações geralmente não eram tão brilhantes ou duradouras, mas nas mãos de Seki elas ganham um nível imensuravelmente mais engenhoso e sofisticado.

Não adianta Yokoi (dublada pela popular Hanazawa Kana) tentar prestar atenção na aula de história sobre a Era Meiji, na de literatura a respeito do escritor Osamu Dazai ou na de química em relação a fórmula da amônia; estando sentada próxima ao silencioso colega Seki, ela logo largará o caderno e deixará de fazer anotações para vislumbrar outra de suas invenções. Às vezes a garota o flagrará "somente" montando um trajeto usando dominós (com direito a escadas, curvas e até teleférico...) para fazê-los cair, ou então polindo a carteira ao trazer de casa inúmeros produtos de limpeza avançados; em outros momentos, contudo, Seki será visto se empenhando na construção de um sangrento e dramático campo de batalha ocupado por peças de shougi de papel, ou então "trabalhando" de agente postal entregando bilhetinhos, devidamente carimbados, para a sala inteira - e é um serviço sério, viu, com regras quanto as dimensões e modalidade da postagem e horários para entrega! Yokoi surta, faz gestos, sussurra pedindo para ele parar com essas bobagens e ir estudar, se excede e fala alto sem querer em alguns momentos, mas no fim acaba normalmente se empolgando e se deixando levar pelas brincadeiras de Seki, frequentemente intervindo no desfecho de algumas delas, como usar seu material escolar para pôr um basta à traição de certo general de shougi ou torcer para o bem de uma simpaticíssima família de robôs durante uma simulação de terremoto. Outra ação costumeira é essa pobre estudante dedicada ser repreendida pelos professores nas horas que eles desconfiam de algo, mas pode ela apontar o dedo e delatar Seki quantas vezes quiser, que no  instante seguinte sua carteira já estará livre de qualquer prova! Apenas Yokoi mesmo testemunha tais absurdos...

Partidas de mini-golfe se aproveitando de pequenas falhas na mesa da sala de artes, duelo selvagem entre um coelho e um urso usando peças de go e até a perigosa escalada de um ursinho para chegar no topo de uma montanha... Montanha essa que é as costas do colega que senta a frente de Seki. Seja com as ideias incansáveis desse garoto que mal fala, só resmunga (porém são ótimos resmungos feitos por Hiro Shimono!), seja pelas reações desesperadas e contraditórias de Yokoi, "Tonari no Seki-kun" foi de fato não só o melhor anime curto de 2014 (se bem que num ranking totalmente parcial eu colocaria a fofíssima continuação de "Puchimas" na frente), como ainda uma das melhores comédias do ano inteiro. Dois personagens divertidos que possuem ótima química - querendo Yokoi ou não - e uma criatividade tamanha para narrar tantos eventos em um mesmo cenário tão comum: igual a toda obra desse estilo haverão naturalmente episódios menos inspirados, monótonos, mas eles serão minoria nesse anime que prova não haver limites para a imaginação - em especial a de um garoto que se entedia facilmente na sala de aula.



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7 comentários:

  1. Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken foi uma surpresa. Não esperava nada, mas foi melhor que muitos animes de duração normal.

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  2. Olá, tudo bem?
    Eu preciso dizer que gostei demais desse top! Tem várias séries que eu achei legais mas vi serem comentadas muito pouco ao longo do ano. Inclusive achei muito bom como valeu até "garotas lésbicas se comportando como animais" mas não Pupa, HAHAH.
    Bem, dessa lista, eu assisti pelo menos um episódio de quase todos (à exceção de Pupipo, que confesso que fiquei curiosa agora!). SeHa Girls, Kantoku Fuyuki Todoki, Falcom Gakuen, Orenchi no Furo Jijou, Strange+ e Tonari no Seki-kun eu cheguei a assistir inteiros e gostar bastante. Meu favorito provavelmente foi Strange+, mas concordo plenamente quanto a achar graça em uma cena e sentir vergonha alheia na outra. Mas é legal, é ousado, às vezes acerta, nada contra. :P (e bem notado como o FukuJun faz muitos traps? Amo esse rapaz, mas achei que só eu tinha percebido como entre Takumi, Tohru e MARIANDALE, realmente tem uma diversidade aí... é um dado interessante... talvez)
    Enfim, bom post como de costume, boas recomendações! (◡‿◡✿) Até mais!
    - Chell @ Not Loli!

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    1. Oh, Chell, brigado pelo comentário. Fico satisfeito que tenha gostado do post; eu acho intenressante falar sobre essas séries que são menos lembradas com o passar das temporadas, e essa seção é um ótimo lugar para fazer isso. E garanto uma coisa: "Pupa" não apareceria aqui nem se fosse X-20, ha... (sério, não apareceria mesmo).

      Fukuyama Jun realmente possui uma quantidade incomum não só de papéis de traps "em tempo integral" (incluindo aqui Mariandale apesar de ser um caso diferente), como também de personagens que em algum momento se travestem por qualquer motivo, tipo o Taro de "MM!", o Takanashi de "Working!", o Yuuta de "Chuunibyou" e até o Lelouch de "Code Geass"... Curioso que, vendo vários comentários a respeito, traps geralmente podem ter um apelo, um fanservice em cima, mas por conta do estilo normalmente cômico nas suas atuações é difícil enxergar esse lado quando tem Fukuyama Jun os dublando, ha...

      E querendo ou não ele os dubla muito bem!

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  3. Realmente, lista muito boa, mas que reflete realmente que 2014 não teve tantos animes curtos de qualidade. E só um adendo, não concordo com as críticas em cima do Seha Girls. Sei que de CG ele foi bem tosco, mas eu achei uma belíssima homenagem à SEGA e sua história, apesar do humor nonsense. Eu até chorei de emoção no episódio final, coisa que não acontece com frequência. Creio que tenha me agradado porque sou Segista desde pequeno.

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    1. Ha, de boa, Hayato, confesso que também achei o final um pouco sentimental (especialmente na parte em que todos os personagens estavam em volta da Dreamcast) apesar de nunca ter tido grande afeição pelos consoles da Sega - os primeiros video-games da minha infância foram da Nintendo, só quando já era mais velho que conheci melhor Mega Drive, Dreamcast e Saturn.

      'Brigado pelo seu comentário, também.

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  4. Ótimo Post XD

    - Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken
    - Inugami-san to Nekoyama-san
    - Mangaka-san to Assistant-san to The Animation
    - Orenchi no Furo Jijou
    - Pupipo
    - Strange+
    - Tonari no Seki-kun

    Eu vi todos esses e gostei muito :3 :3
    Especialmente de: Danna ga Nani, Mangaka-san to Assistant-san, Pupipo e Tonari no Seki-kun.
    Todos me surpreenderam bastante ;3 ;3

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    1. Ô Trafalgar, 'brigado pelo comentário.

      E quanto as garotinhas da Sega ou o lado otaku de Hideaki Anno, tentou ver esses?

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