30 de março de 2015

Resenha: Cowboy Bebop


Cowboy Bebop – Anime
 Informações do Anime: -
Título: Cowboy Bebop
Título em japonês: カウボーイビバップ
Gêneros: Aventura, Drama, Comédia,Ficção Científica, Ação
Ano: 1998
Total de Episódios: 26
Diretor: Shinichiro Watanabe
Estúdio: Sunrise

Para comemorar 3 anos de Animecote nada melhor do que relembrar um dos melhores animes já feitos. Sim, é o clássico Cowboy Bebop!! =D

 (Resenha originalmente publicada dia 5 de junho de 2010 no site Animehaus)

 
É com grande orgulho que escrevo sobre uma das melhores obras televisivas de todos os tempos, que também é uma das séries mais populares do mundo dos animes, isso se não for a mais popular. Afinal, que otaku que se preze nunca ouviu falar de Spike Spiegel e companhia?

Cowboy Bebop conseguiu reunir um incrível elenco na sua produção, pessoas como o ótimo diretor Shinichiro Watanabe, Toshihiro Kawamoto responsável pelo design de personagens, e a maestria musical de Yoko Kanno. Um projeto com tanta gente de qualidade não poderia dar errado. Para completar o time de craques, a obra ainda conta com o estúdio Sunrise. Um fato curioso sobre a equipe por trás de Cowboy Bebop aconteceu um pouco depois do término do anime, pois os produtores se uniram e formaram o estúdio Bones, que ficou famoso com a serie Fullmetal Alchemist.

A historia de Cowboy Bebop se passa no futuro, mais precisamente por volta do ano 2071. Nessa época as coisas mudaram muito no mundo, vários planetas e seus satélites agora são habitados por seres humanos, e grande parte do mérito dessa conquista espacial se deve aos Portais Hiperespaciais, que servem como atalhos para as naves se locomoverem pelo Sistema Solar. Foi graças a um portal desses que ocorreu um terrível acidente na Terra, pois o portal hiperespacial entre a Terra e a Lua explodiu, ocasionando uma chuva de fragmentos lunares (meteoros) sobre a superfície terrestre, tornando assim o planeta inabitável.

Outra grande mudança aconteceu com o sistema monetário. Como a população mundial e a variedade de territórios aumentaram drasticamente, foi preciso unificar a moeda mundial. Para esse fim foi criado um novo sistema monetário: o Woolong. Woolong é uma moeda virtual, que pode ser usada transferindo créditos de uma pessoa a outra através de um cartão magnético.

O espaço sideral tornou-se uma rodovia, naves vão de um lado para o outro o dia inteiro. Todos usam esse meio de transporte, desde policiais até procurados pela justiça. Toda essa facilidade de deslocamento entre os planetas facilitou a vida dos chamados “foras-da-lei”, e como a ISSP (Inter Solar System Police) não consegue dar conta de tanto bandido sozinha, eles criaram um curioso sistema de captura de criminosos para ajudá-los. Esse sistema de captura nada mais é que colocar uma recompensa pela prisão de alguns criminosos, existe até um programa de tv onde “cowboys” cheios de bom humor anunciam o procurado do momento. É claro que muita gente se interessou em ”ajudar“ a policia, e com isso nasceu uma nova profissão: os caçadores de recompensa, carinhosamente conhecidos como “Cowboys”.

Spike Spiegel e Jet Black são dois “cowboys” espaciais, eles desistiram de suas vidas normais e tentam sobreviver como caçadores de recompensa. Jet possui uma grande nave chamada Bebop, é com ela que ele vasculha o Sistema Solar atrás de bandidos. Com o passar dos episódios, Bebop ganha mais três tripulantes, são eles: Edward Wong Hau Pepelu Tivrusky IV, Faye Valentine e o cachorro Ein.

Cada personagem possui seus próprios problemas interiores, uma história de vida trágica acompanha cada um deles. Para essas pessoas, Bebop serve como um refugio de seus antigos estilos de vida, pois dentro da nave todos têm um só pensamento, e ninguém interfere diretamente na escolha do outro, ou seja, eles vivem em uma espécie de irmandade.

Existem muitos outros personagens secundários que ajudam a melhorar a qualidade da série durante certos episódios, e cada um é mais peculiar que o outro. Um homem vingativo que anda arrastando um caixão, um traficante de cogumelos espaciais, um ladrão de cachorros, e segue por aí, sempre com personagens interessantes. Além desses personagens que são menos importantes para o desfecho da trama, também existem aqueles que são usados como o norte da série, como Julia e Vicious, mas infelizmente não posso contar muito sobre eles para não transformar a resenha em “spoiler”. No entanto, me parece natural descrever um pouco de cada tripulante da Bebop.

Spike Spiegel é um marciano de 27 anos de idade, ele carrega algo em sua memória que o faz ter um ar meio distante, parece que ele está sempre pensando no passado. Outra parte interessante de Spike é a sua habilidade para lutar, pois ele é especialista na arte do Jeet Kune Do, estilo de luta usado pelo lendário Bruce Lee. Graças à sua peculiar forma de lutar, ele consegue se livrar de situações difíceis.

Edward Wong Hau Pepelu Tivrusky IV, ou simplesmente Ed, é uma garota de 13 anos de idade. Ela é uma das maiores hackers do mundo. Apesar de Ed ser uma menina, seu jeito de moleque e sua forma de se vestir e agir faz com que ela seja constantemente confundida com um menino. Ela é a protagonista do episódio “Mushroom Samba”, esse que é um dos episódios mais cômicos da serie. Isso se deve muito às atitudes e expressões de Ed, e o seu comportamento infantil também ajuda a dar uma leveza na trama.

Ein é um cão da raça Pembroke Welsh Corgi que se junta à Bebop meio que sem querer e, inicialmente, a contra-gosto de Spike. Ele serve de mascote para os habitantes da nave, além de ser um companheiro inseparável de Ed. Essa pode ser considerada a dupla CDF de Cowbe, uma vez que Ein é o cachorro mais inteligente do mundo.

Faye Valentine é uma jovem e bela aventureira. Por causa do seu vicio em jogos de cassino, sempre fica em dividas e acaba gerando uma enorme confusão por onde passa. Seu jeito ”malandro“, na minha opinião, faz dela a melhor personagem feminina do mundo dos animes, pois seu carisma e suas atitudes são inigualáveis. Faye possui um triste passado que é revelado no desenrolar do anime, fato esse que serve para dar ainda mais realismo à personagem.

A trama central de Cowboy Bebop fica escondida no subconsciente do enredo na maior parte da serie, pois existem vários episódios em que o foco é claramente o desenvolvimento dos personagens, porém existe pelo menos uma citação ao objetivo final por capitulo. Cada episódio, salvo algumas exceções, conta uma história única com um desenvolvimento nos moldes “inicio, meio e fim”, ou seja, o desfecho do acontecimento não fica para o próximo episódio.


Cowboy Bebop é repleto de ação, aventura, drama e comédia, tudo envolto de uma trilha sonora poderosa e 100% original. É incrível como uma música tocada no momento certo e da maneira correta dá um enorme clima para a cena, e esse é o grande trunfo dessa obra. Os personagens também são de uma sensibilidade jamais vista antes, todos eles possuem um carisma esmagador. É surpreendente como é fácil se identificar com os personagens rapidamente, e isso nos faz torcer por cada um deles, até mesmo pelos coadjuvantes. Todo esse carisma e realismo deixa a série bastante emocionante.

As lutas mais parecem danças, graças aos movimentos escorregadios de Spike embalados pela trilha sonora de Jazz. Até mesmo os tiroteios são artísticos, eles dão dinâmica e emoção ao enredo, além de deixar muita gente de queixo caído. Os diálogos são diretos e sarcásticos, a ironia se faz presente quase o tempo inteiro e as tiradas de Faye e Spike são perspicazes e divertidas.

Um fato curioso são os títulos de cada capitulo, nomes como: Asteroid Blues, Cowboy Funk, Mushroom Samba, Heavy Metal Queen, Jupiter Jazz, Ganymede Elegy e Boogie Woogie Feng Shui fazem referencias a vários estilos musicais, enquanto títulos como: Ballad of Fallen Angels, Hard Luck Woman, Toys in the Attic, Honky Tonk Women, Sympathy For The Devil e Wild Horses são nomes de músicas de bandas famosas como os Rolling Stones. Há outras referências nos títulos que fazem trocadilhos com bandas como Black Dog Serenade que é claramente sobre a música Black Dog do Led Zeppelin.

A parte técnica pode ser resumida em poucas palavras: impecável, grandiosa e perfeita. Desde o traço até a trilha sonora, tudo é uma grande perfeição. O desenho de personagens é lindo, traços firmes e expressões convincentes nos deixam de boca aberta durante toda a série. A animação também faz bonito, principalmente nas belas cenas de luta, que possuem muita fluidez e dinâmica. A dublagem contou com grandes nomes: o dublador de Spike é Koichi Yamadera, mesmo dublador de Kaji Ryoji de Evangelion. Outra do elenco de Eva é Megumi Hayashibara, que dublou Ayanami Rei. Jet ganhou a voz de Unsho Ishizuka, e Ed teve o privilegio de ser dublado por Aoi Tada.

A trilha sonora é de outro planeta. Yoko Kanno conseguiu um feito histórico no mundo da animação. Para se ter uma idéia do seu feito, podemos facilmente dividir a trilha sonora nos animes como AY e DY, ou seja, antes de Yoko Kanno e depois de Yoko Kanno. Pois foi ela quem produziu, compôs, arranjou e ainda tocou teclado na banda The Seatbelts, banda essa que foi produzida especialmente para executar as músicas de Cowboy Bebop. Essa banda é composta por grandes músicos de várias nacionalidades, formando uma verdadeira orquestra. Podemos ver o resultado desse trabalho logo na abertura, quando é apresentado o tema Tank, que até hoje em dia é considerada por muitas a melhor música já composta exclusivamente para anime. O sucesso dos The Seatbelts foi tamanho, que lotaram várias casas de show pelo mundo tocando a trilha sonora de Cowboy Bebop, sem contar que já foram lançados mais de dez cds da banda.

Não é possível comentar a trilha sonora em apenas um parágrafo, graças a tamanho repertório de alta qualidade. What Planet Is This e Mushroom Hunting possuem um balanço único, enquanto Call Me Call Me e Pearls nos trazem tristeza e dor. Digging My Potato mescla lindas melodias de gaita com uma percussão excêntrica, já Wo Qui Non Coin e Waltz for Zizi transmitem tranqüilidade e paz. Bad Dog No Biscuits e Rush possuem energia ideal para transformar as cenas de luta em concertos de Jazz Bebop. A bela Real Folk Blues fecha com chave de ouro a sinfonia de Yoko Kanno. Destaque também para Rain, tocada na cena do confronto da igreja, essa que é uma das melhores cenas já produzidas. Não é à toa que meu MP3 tem uma pasta fixa com a maioria das músicas de Cowboy Bebop.

Espero não ter me empolgado demais na parte musical. ^_^. Acontece que é difícil não exaltar uma obra grandiosa como essa. Confesso que procurei defeitos em vão nessa obra, por isso nada mais justo que dar a nota máxima. É realmente fantástico como tudo se encaixa perfeitamente nesse anime, até mesmo cada simples detalhe transmite algo relevante para o contexto da serie. Anime altamente recomendado para qualquer pessoa, goste de animes ou não, assista Cowboy Bebop e não irá se arrepender, garanto que seus olhos e seus ouvidos irão adorar essa bela obra de arte moderna.


See You Space Cowboy!











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2 comentários:

  1. E quem melhor para escrever sobre este anime neste site do que alguém chamado 'Bebop'? xD

    Bem, vamos começar discordando... por mais incrível que talvez possa te parecer, e acho que o @Evilásio teria um feeling melhor do que você para saber disto, CB NÃO é uma das séries mais populares do mundo dos animes e nem de longe é a mais popular (em ambos os casos, pelo menos em se tratando de Brasil eu tenho CERTEZA que não é). Me desculpe Bebop, eu ADORO a série e isto se refletirá MUITO melhor quando eu escrever no podcast específico de CB, mas tenho que dizer que CB não é tudo isto para o grande público não... o que pode até ser uma heresia (xD), mas... gostos são gostos.
    "Afinal, que otaku que se preze nunca ouviu falar de Spike Spiegel e companhia?" -> Conheço uma cacetada de gente, e não são pessoas tão novinhas não...

    Realmente é difícil não se empolgar com a parte musical de CB, mas apesar de mostrar seu lado fanboy, você foi muito bem. xD
    Parabéns Bebop, belo post. o/

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  2. Minha vida animistica nunca mais foi a mesma sem o animehaus. Buscar obras pelo ranking do myanimelist ou do animenewsnetwork nem de longe tem me agradado tanto quanto o que eu conseguia com o animehaus, onde facilmente me identificava com um ou 2 dos "críticos" e seguia suas opiniões. Assisti todo o top 50 do animenewsnetwork e apesar de ter descoberto assim obras incríveis como Monster e The flower we saw that day, não estão lá muitas das que considero as melhores e que ocupavam posição de destaque no animehaus, como filmes do Satoshi Kon por exemplo, e algumas obras mais "indies", menores.

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