12 de setembro de 2015

Entrevista com Hirotaka Akagi, autor de Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai



E nem foi preciso censurar alguma coisa!



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Tanto por conta de o Bebop ainda não ter gravado a próxima edição do AnimecoteCast por motivos pessoais, quanto por eu ter ficado longos intervalos sem energia em casa durante a semana inteira devido às fortes chuvas que atingem São Paulo (o que atrasará a postagem do guia da temporada de outono, previsto agora para domingo), o Animecote permaneceu sem novidades nas últimas duas semanas, porém em breve voltaremos com postagens regulares - ou é o que eu espero.

Logo, para não deixar passar batido mais um fim de semana enquanto finalizo às pressas o guia para posta-lo ainda nesse domingo a tarde, decidi trazer a tradução dessa entrevista (realizada no conforto do meu trabalho para economizar tempo, lógico) com o autor do pervertido "Shimoneta", anime dessa temporada que tem surpreendido com sua comédia e piadas escandalosamente eróticas. Ela foi postada no MyAnimeList há cerca de uma semana pela colunista RilakkuLina, tendo sido publicada originalmente na edição de setembro de uma revista japonesa chamada Animage - clique aqui para ver o post. É uma entrevista curtinha, mas com alguns pontos interessantes.

Segue abaixo a tradução do texto na íntegra.




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Comumente abreviado como "ShimoSeka" ou "Shimoneta", "Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai" é uma imaginação satírica e ridícula de um mundo no qual o puritanismo é levado ao extremo. Os personagens principais se rebelam contra essa cultura anti-sexo através de vários métodos tolos.

Enquanto o anime permanece em exibição, "Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai" é originado de uma light novel do autor Akagi Hirotaka, sendo esse seu primeiro trabalho. Vamos ouvir o que ele pensa a respeito de "Shimoneta" e como se sente ao ver sua obra adaptada em um anime!



Como é que surgiu esse mundo em que "Shimoneta" se passa?

Eu estava bebendo fora com um grupo só de homens, e em dado momento a conversa chegou ao fundo do poço em termos de depravação. Um deles disse: "Se isso fosse gravado nós todos estaríamos mortos para a sociedade", e foi assim que tudo começou. Em seguida o conceito se solidificou com "piadas sujas são proibidas" e "uma sociedade onde há restrições rígidas sobre a auto-expressão", e a partir daí passei a criar os personagens. Então, veja, não foi como se eu apenas quisesse desenhar meninas bonitas dizendo coisas sujas! Sempre digo isso, mas ninguém parece acreditar em mim. (risos)


Durante todo o tempo em que tem trabalhado nessa obra, o que lhe marcou mais profundamente?

Na verdade, eu me desfiz de tudo uma vez quando estava redigindo o enredo; basicamente, comecei a reescrever a partir do zero. O conceito de uma menina que gosta de coisas sujas e um personagem principal que é pego no meio de tudo e que juntos se posicionam contra as autoridades não havia mudado, porém o primeiro rascunho enfatizava mais o totalitarismo do que o conteúdo sexual, de modo que o sabor em seu todo era diferente. Logo, ao invés de parecer que estreei com um projeto que submeti e foi revisado, sinto mais que foi como uma ideia que apresentei e teve de ser adaptada.

Por ter pensado assim, o tempo antes do primeiro volume chegar às prateleiras se tornou um caos. Foi extremamente difícil, mas graças a isso, a qualidade do meu trabalho aumentou rapidamente. Eu consegui publicar um livro que criou potencial para continuações, então agora que olho para trás, foi uma boa estreia.

Houve alguma divisão quanto a como seria a arte de capa. Eu estava do lado cauteloso, contudo meu editor tomou a decisão certa ao mostra-la completamente nua (risos). Não posso encarar a pessoa que era o meu editor na época. Meu editor atual também é muito apaixonado por essa obra, e me dá várias orientações. Recebi ainda um monte de ajuda do departamento de edição desde a minha estreia; a única coisa que tenho confiança nas minhas próprias capacidades são nas cenas sujas do livro!



As interações entre Ayame, que grita vulgaridades enquanto usa uma calcinha em sua cabeça, e o Okuma com suas reações rápidas também são interessantes.

É um mundo onde qualquer coisa relacionada a sexo é fortemente regulada pelo governo, por isso, se você não tiver cuidado, uma conversa pode rapidamente se tornar algo grave. Então, eu tento deixar que os personagens façam e falem bobagens com a maior frequência possível; devido a isso, todos ele parecem ser pervertidos, e as pessoas começam a se perguntar que tipo de pessoa é o escritor.

Estou ciente de que as coisas sujas que Ayame fala são coisas que os garotos na vida real geralmente dizem, logo eu conscientemente evito qualquer trecho gráfico demais. E o personagem principal Okuma desempenha o papel do homem sério cercado por Ayame e os outros pervertidos, mas mesmo que na superfície evite de dizer algo vulgar, não é como se ele fosse puro; é um adolescente, então de modo algum seria dessa forma.



Quais personagens são fáceis ou divertidos de se escrever?

Minha velocidade aumenta exponencialmente quando estou escrevendo cenas onde Ayame está sendo bruta, ou então quando Anna está sendo imprudente! (risos) É tão fácil de escrever para elas que muitas vezes excedo o meu limite de páginas, e tristemente tenho de apagar tudo - provavelmente garotas que ajam de acordo com suas emoções e instintos são minhas favoritas para escrever. Não é nada frustrante porque, como autor, eu também gosto muito de coisas vulgares! Por outro lado, é mais difícil de escrever para personagens racionais, especialmente as pessoas de autoridade, como os pais.



Como se sentiu quando a adaptação em anime de seu livro foi anunciado?

Não parecia real. "Um anime para a TV? Sério? De verdade?". Eu observei uma sessão de gravação, e olhei para o roteiro e storyboard, mas mesmo assim não parecia real, mesmo quando participei de uma pré-exibição do primeiro episódio. A ficha finalmente caiu dois ou três dias antes da transmissão, e fiquei realmente desconfortável.

Mas o enredo do anime é realmente completo; não acho que poderia haver uma melhor adaptação do anime para "ShimoSeka". Eu verifiquei o roteiro e o storyboard e todos eles estavam excelentes, e digo o mesmo dos dubladores talentosos. O site oficial do anime também ficou maravilhoso. Cheguei ao ponto de pensar para mim mesmo "Se tudo é tão bom, então não seria o meu livro o elo mais fraco?!". Estava em conflito, entre ficar feliz e com raiva.


Há alguma cena do anime que lhe deixou uma profunda impressão?

Creio que o episódio 4 foi realmente memorável, especialmente as partes B e C.
[Nota: trechos omitidos devido a spoilers - se você não viu ainda vá ver para saber do que ele está falando!]

(não sei ao certo que divisão é essa que é citada, porém de todo modo este é o episódio onde a Anna "ataca" o Okuma pela primeira vez no meio da noite)




Por último, por favor, envie uma mensagem para seus fãs.

Esse programa é imperdível para quem gosta de piadas sujas! Ele pega todas as partes mais vulgares do romance original, por isso, divirta-se! E é um anime educacional - você verá pelo que fizemos nossos dubladores passar, e verá a diferença entre um Japão totalitário e um Japão sem regras. Por favor, o assista como se fosse um pai, como se fosse eu, o escritor do original!


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