25 de novembro de 2015

Resenha: Shijou Saikyou no Deshi Kenichi


Quem acompanha a animação japonesa, sabe bem o quanto há títulos e gêneros para todos os gostos; entre tantos, um se destaca por ser a porta de entrada para os animes no meio ocidental: os shounens de batalha, cujas características são “fáceis” de identificar e a revista que traz este gênero em questão, famosa por ser a casa de shounens como os que acompanhamos é a Shounen Jump. Claro que depois de um tempo, a gente pergunta: será que somente a Jump traz este gênero, as outras revistas também não têm? A resposta é sim, no entanto, como ficamos muito presos as histórias da Jump, não damos muitas chances de conhecer outros títulos em outras revistas.

Na verdade, considerando que shounens de batalha tenha suas similaridades, fica complicado saber se há algo novo em cima de tantos clichês. Se correr atrás, dá pra encontrar e quem sabe, se divertir com uma nova velha história de lutas, amizades e superações. O caso abaixo comprova que não é preciso estar nas páginas da Shounen Jump pra chamar a atenção do público, e foi com Kenichi e companhia que me diverti e fiquei empolgada para saber o que ia acontecer com eles. No final, simplesmente amei o contexto do qual a trama foi elaborada e seu núcleo de personagens.

Por isso, nos acompanhe nesta resenha e entenda: há shounens de batalha fora da Jump sim! E este é um destes casos, acreditem...


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Ano: 2006
Diretor: Hajime Kamegaki
Estúdio: TMS Entertaiment
Episódios: 50
Gênero: Ação / Aventura / Comédia
De onde saiu: Mangá, 61 volumes, finalizado


Por Escritora Otaku


Os famosos shounens de batalha: entre tantos gêneros de mangás este é certamente o mais conhecido, mais assimilado e ao mesmo tempo, tão comum que passando o tempo podemos deixá-lo de lado pelos seus clichês óbvios. Claro que a fórmula é simples; o que torna cada história diferente é a forma que seus criadores transmitem aquilo que desenvolveram, lidando com os clichês e a forma que trazem os personagens e a ambientação ao seu público. Se quiser uma série que traga lutas aos montes, personagens que têm de superar seus maiores medos e desafios, acreditar na força da amizade e que haja rivalidades está na demografia certa. Se não, ao menos, dê uma chance e quem sabe se identificará com um shounen de batalha.

Das páginas da Shounen Sunday, lar de diversos mangás, entre conhecidos e desconhecidos, podemos encontrar um leque menos exigente à primeira vista. Ao conhecer mais das obras, note-se o trabalho que boa parte de seus mangakás tem em transmitir suas histórias e o esforço de deixar o público tirar suas próprias conclusões. E é aí que “Shijou Saikyou no Deshi Kenichi” ou apenas Kenichi (pra encurtar) teve seu enredo e estética apresentados. Nas mãos de Syun Matsuena, a série passou nos anos de 2002 a 2014, com 61 volumes e seguindo a clássica fórmula dos shounens de batalha que conhecemos. Numa visão superficial, não parece ter nada de inédito, e é aí que se enganam... em clichês consagrados dá pra tirar algo novo e que vai trazer sua própria personalidade, senão, não teria durado tanto assim.

Shirahara Kenichi, nosso protagonista, é um rapaz fracassado: nada o faz se destacar e onde poderia ser melhor, mais fracasso em sua cola. Mesmo fazendo parte do Clube de Judô, nunca conseguiu ganhar uma luta e é motivo de chacota dos membros de lá. Cansado e na base do sem querer, é desafiado por um dos melhores membros a uma luta e caso perca, terá de sair do clube, ou seja, mostrar que não é o fracassado que demonstra. Totalmente sem esperanças, eis que acaba vendo uma colega de classe sendo ameaçada pelos valentões, a novata Furingi Miu; só não esperava o Kenichi descobrir que ela não era apenas um rosto bonitinho ao ver, entre choque e espanto, ela dando uma surra nos caras. Passado o susto inicial e vendo que tudo terminara bem, a jovem nota o bom coração do rapaz e ao saber do seu desafio, se propõe a treinar em um dojo, o Ryouzanpaku. O local é lar dos maiores mestres de artes marciais, sendo que o dono é avô da Miu; ao ir lá, Kenichi fica morrendo de medo ao ver que os mestres são um bando de caras mal-encarados – quem os vê, realmente são isso mesmo – e muito bons no que são especialistas. Mesmo desconfiando do estilo deles, Kenichi não desiste e passa a treinar lá, na intenção de melhorar suas habilidades marciais e proteger a Miu.

A partir daí, acompanhamos nosso protagonista treinando com estes mestres e enfrentando lutas atrás de outras, regadas a muita comédia, uma pitadinha de romance e muito trabalho árduo. A decisão de Kenichi o leva a entender o que o motiva a treinar com aquele bando de loucos, como saber de cara que não é expert em nenhuma arte marcial. Isso mesmo que leu: o cara não tem nenhum talento pra isso, nem um pouquinho... Só isso diferencia dos protagonistas de shounens de batalha que estamos habituados a ver por aí.


Os mestres que fazem parte do Ryouzanpaku são um dos destaques da série: cada um tem uma personalidade e estilo de lutar, que usam suas habilidades já refinadas em ensinar as artes marciais a quem aguentar o treinamento; só vendo pra entender o que tem nestes treinos... E conforme passa, Kenichi fica mais forte e chama a atenção de um grupo, a Ragnarok, que quer saber o que um cara fracassado e sem talento passou a ser tão forte em tão pouco tempo.

Só isto dá pra resumir o que tem Kenichi de tão comum e incomum; pode preparar para lutas bem pé no chão (não há poderes) claro que o exagero dos golpes apresentados é bem shounen de batalha; um grande elenco de personagens principais e secundários; a ala feminina não é ficada a ver navios, umas até lutam e não são frágeis como dizem por aí; comédia recorrente até quando a coisa fica séria e outros fatores colocam a série num patamar acima da demografia apresentada.

A animação é bem estável, com destaque a forma que mostram os elementos chaves da trama sem soar forçado e adapta uma parte da obra original; o elenco de vozes foi bem escolhida, cada dublador desempenhou seu papel (quem for assistir não pule os créditos do último episódio, pois é posto os nomes dos personagens que aparecem e seus respectivos dubladores ) e é bem direto em sua proposta.

Na sua trilha sonora, destaque para as aberturas usadas em sua exibição: “Be Strong” e “Yahoo” por mostrar bem o estilo de Kenichi, a primeira mais introdutória e a segunda mais animada, revelando as facetas apresentadas na série de TV. Os encerramentos seguem dois pontos: os traços do mangá e esquetes cômicas, quem ver vai entender.


“Shijou Saikyou no Deshi Kenichi” pode encaixar em um estilo comum, dando uma chance, vai entender que nem todos os shounens de batalha se resumem as obras da Shounen Jump; caso goste, ainda há 11 OVAs que seguem no ponto que a série de TV parou, feitas em outro estúdio e há alguns rumores não confirmados que possa ter uma nova série. Aos que curtem este estilo de história, é uma boa oportunidade de conhecer o que faz Kenichi e companhia serem tão comuns e ao mesmo tempo, terem seus diferenciais.



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