10 de maio de 2017

Resenha: Young Black Jack


Por Escritora Otaku


O ano de 2015 foi um bom ano pra mim em termos de animes semanais: assisti uma cota boa de séries e de praxe, a temporada que mais acompanhei foi a de outono, passando da cota mínima que vejo. Foram seis animes, desisti de um e ficou cinco que fui vendo até o final, sendo que destes, quatro foram muito bons e um regular. Destes bons, temos o da resenha abaixo, que quando achava que ia seguir, fez o favor de acabar... e de me dar muita raiva por ter terminado.

Deixando a reclamação de lado, foi um dos melhores animes de 2015 pra mim, um que parecia que ia passar despercebido – sempre tem isso nas temporadas de animes, uns que não há o hype e conhecimento da trama original ou de um estúdio decente – que aos poucos, na base do boca a boca e de opiniões online, acaba tendo seus momentos de fama. E foi o que houve com “Young Black Jack”, que traz um personagem importante de um mangaká de renome, pessoa essa que muitos aí devem conhecer - afinal, sem este, os animes e mangás não teriam a cara que tem. Melhor deixar que a resenha dê os seus pareceres...


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Ano: 2015
Diretor: Mitsuko Kase
Estúdio: Tezuka Productions
Episódios: 12
Gênero: Drama / Histórico
De onde saiu: Mangá, 9 volumes, em andamento.


De uns anos pra cá, tem sido muito utilizado contar histórias de um personagem antes de sua fama incontestável, para mostrar como ele era antes de ser o que se tornou. Este recurso não retira o que já tinha, apenas bota uma nova visão de como foi o começo de tudo e com isto, as consequências para a história em si. À primeira vista soa estranho, mas, conforme anda a trama, temos mais noção deste personagem, suas motivações e o que levou a ser o que é, bem como conhecemos aqueles que fizeram parte de sua vida antes da fase atual.


Saindo de um mangá das mãos de Yoshiaki Tabata (roteirista) e Yuugo Okuma (desenhista) desde 2011, “Young Black Jack” mostra a juventude de Black Jack, personagem que veio de uma das obras de Osamu Tezuka, profissional conhecido por ter dado aos mangás/animes a cara que conhecemos. O mangá “Black Jack” teve 17 volumes no período de 1973 a 1983, tornando-se assim na sua obra mais longa - e o curioso é que houve nisso muito toque pessoal, pois, igual ao protagonista, Tezuka estudou Medicina (porém nunca exerceu a carreira). A história rendeu várias adaptações animadas e filmes, mostrando um pouco deste personagem.

E destas, veio a obra atual e sua versão animada. A história de “Young Black Jack” é sobre o jovem Hazama Kuroo, estudante de medicina que tem uma aparência bem chamativa de ser (o rosto possui dois tons de pele e seu cabelo é parte preto/parte branco, fora que há várias cicatrizes em seu corpo) que vive no Japão em meados dos anos 60, época na qual havia muitas greves de estudantes. O sonho dele é ter a licença de médico e exercer a profissão de forma honesta, e enquanto isso segue nos estudos e na prática, escondido, pra chegar mais rápido ao seu objetivo. Quando uma criança sofre um acidente e os médicos não podem fazer a cirurgia por ser de alto risco, Hazama dá um jeito e com ajuda e suporte, faz a operação e salva a criança. Claro que cobra um preço aos pais do paciente, para ver o quanto se importavam com sua vida.


A partir deste ponto em diante, acompanhamos o protagonista em um contexto histórico muito marcante daquela época, como a Guerra do Vietnã, os protestos por igualdade social Aos negros nos Estados Unidos e até mesmo corrupção na área médica (e há gente que acha que corrupção tem apenas na política, se enganam...). Neste meio tão movimentado, Hazama começa a moldar a personalidade que o tornaria o Black Jack no futuro com suas primeiras cirurgias, se esforçando a ajudar os outros e sofrendo as consequências de cada situação.

Uma química de roteiro mais madura, sem soar fantástica demais; personagens que trazem parte do contexto histórico apresentado; operações de alto risco e um pouco de fanservice são os ingredientes que a série pode oferecer - e não precisa pegar na obra que originou esta trama, até porque está mais para apresentação dos fatos anteriores. Além do mais, é uma maneira de conhecer um dos personagens da vasta galeria de Tezuka, que como se sabe, influenciou demais artistas e outros profissionais na criação artística e cultural.

A versão anime veio nas mãos do estúdio fundado pelo mangaká, tendo uma adaptação bem direta; os traços são uma mistura do desenho de Tezuka com traços atuais, uns mais, outros menos; e a parte técnica se encontra entre média a boa com uma dublagem que ajuda nos momentos certos. Temos como abertura “I am Just Feeling Alive” de UMI KUUN que mostra o que a série oferece ao público, num tom dramático e reflexivo em sua execução; já o encerramento “All Categorize” de Takuto é mais direto e traz em seu clip o visual dos personagens do mangá comparado a da versão anime, revelando como ficaram o desenho do elenco da série.


Com uma duração até curta demais - como visto no encerramento do último episódio, onde aparecem outros personagens – ao trazer apenas um pouquinho de sua história original, “Young Black Jack” é uma série com gostinho de anime antigo misturado à modernidade dos animes atuais. Se quiserem conhecer o futuro Black Jack, podem ir sem medo e entender um pouco de Hazama Kuroo, o protagonista.


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Um comentário:

  1. Sem brincadeiras, essa obra transborda de bons tramas, quando terminei de assistir fui direto para as outras obras sobre o Black Jack e Amei eles.
    Em particular o filme de 1996 ficou marcado em mim como um dos melhores filmes animados que já assisti e tornou minha recomendação certeira pra quem não tem experiencia nenhuma com animes, sem medo de ser feliz.

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